Pikmin ganha versão nativa para PC com até 120 FPS, ultrawide e suporte a teclado e mouse
Open Nectar leva o clássico Pikmin do GameCube ao Windows e Linux sem emulação, com resolução até 4K, suporte a ultrawide, 60/120 FPS e controles modernos.

O primeiro Pikmin, lançado originalmente para Nintendo GameCube em 2001, acaba de ganhar uma versão não oficial nativa para PC chamada Open Nectar. Diferentemente de um emulador como o Dolphin, o projeto recompila o código reconstruído do jogo para rodar diretamente em sistemas modernos, com versões para Windows e Linux x86-64.
O projeto é baseado na descompilação do projectPiki/pikmin e adiciona uma camada própria para PC, responsável por vídeo, áudio, entrada e tradução das chamadas gráficas do GameCube para OpenGL. Segundo a documentação oficial, a maior parte do jogo já pode ser jogada do início ao fim.
Imagens do Pikmin original, base usada pelo Open Nectar
Open Nectar não usa Dolphin nem qualquer outro emulador
Essa é a principal diferença do projeto.
O Open Nectar não tenta reproduzir o hardware do GameCube. O código reconstruído de Pikmin é compilado diretamente para a arquitetura x86-64 dos PCs atuais, enquanto uma camada nativa implementa funções originalmente fornecidas pelo console.
Na parte gráfica, as chamadas GX do GameCube são traduzidas para OpenGL. O projeto também possui um sistema de especialização dos shaders TEV, permitindo gerar shaders otimizados para cada tipo de material utilizado pelo jogo.
O resultado é uma verdadeira versão nativa para computador, ainda que totalmente não oficial.
30, 60 e até 120 FPS
Uma das melhorias mais interessantes é o suporte a diferentes taxas de quadros.
O jogador pode escolher entre:
- 30 FPS
- 60 FPS
- 120 FPS
O jogo utiliza tempo decorrido para seus sistemas internos, portanto aumentar a taxa de quadros não acelera a jogabilidade. Em outras palavras, Olimar e os Pikmin não passam a andar duas ou quatro vezes mais rápido só porque o jogo está rodando acima dos 30 FPS originais.
Os modos de 60 e 120 FPS ainda são classificados como experimentais, mas já podem ser selecionados dentro do menu do próprio port.
Resolução 4K e ultrawide
Outra vantagem é o suporte nativo a praticamente qualquer resolução de monitor moderno.
O Open Nectar permite utilizar resoluções muito acima das oferecidas pelo GameCube, incluindo 4K e formatos ultrawide, sem depender dos hacks normalmente utilizados em emuladores.
Também é possível alterar a resolução interna separadamente da resolução de saída, ajudando máquinas mais fracas a manter bom desempenho.
A versão 0.4.5 adicionou inclusive melhorias específicas para o HUD em widescreen e ultrawide.
O clássico de GameCube em telas modernas
Teclado e mouse mudam bastante a jogabilidade
O Open Nectar também adiciona suporte completo a teclado e mouse.
No modo de ponteiro, o mouse controla diretamente o cursor utilizado para comandar os Pikmin, algo bastante interessante para um jogo que possui fortes elementos de estratégia.
O clique esquerdo arremessa Pikmin, enquanto o direito utiliza o apito. A roda do mouse pode ser configurada para alternar rapidamente entre as cores dos Pikmin disponíveis ou para aproximar e afastar a câmera.
Segundo o próprio projeto, a precisão oferecida pelo mouse é algo impossível de obter exatamente da mesma maneira com o analógico original do GameCube.
Controles tradicionais continuam funcionando
Quem preferir jogar de maneira mais próxima do console original também pode utilizar controles.
O port aceita dispositivos compatíveis com SDL2, incluindo controles:
- Xbox
- PlayStation
- Nintendo Switch Pro
- modelos genéricos
Também há suporte a vibração e configuração personalizada.
Isso significa que o jogador não é obrigado a utilizar teclado e mouse apenas porque está no PC.
Menu F1 permite alterar tudo durante a partida
O Open Nectar possui um menu próprio acessado pela tecla F1.
Através dele é possível modificar resolução, modo de tela, VSync, taxa de atualização, render scale, FPS, controles e outras opções sem precisar editar arquivos manualmente.
As opções são aplicadas diretamente durante o jogo, facilitando bastante a comparação de diferentes configurações.
Até a inteligência dos Pikmin pode ser modificada
Existe ainda uma opção curiosa chamada Chain Pikmin Actions.
Quando ativada, ela permite que um Pikmin procure automaticamente outra tarefa depois de terminar a anterior.
O próprio projeto dá como exemplo um Pikmin que destrói uma flor e depois automaticamente pega o pellet deixado no chão e o transporta até a Onion.
A função vem desativada por padrão porque altera o comportamento original do jogo, mas demonstra o tipo de modificação que um port nativo permite realizar.
Áudio original também foi preservado
A parte sonora não foi simplesmente substituída.
O Open Nectar utiliza o motor JAudio original do jogo, preservando grande parte do comportamento existente no GameCube. O componente que dependia do DSP do console foi substituído por um renderer em software.
A versão atual também já reproduz as sequências pré-renderizadas, algo que não funcionava em builds anteriores.
Versão 0.4 trouxe várias melhorias gráficas
O desenvolvimento está avançando rapidamente.
A versão 0.4 adicionou uma página própria de configurações gráficas ao menu F1 e trouxe diversos recursos ajustáveis durante a execução.
Já a atualização 0.4.5 ampliou o suporte a versões PAL multilíngues do jogo e corrigiu problemas relacionados ao HUD em formatos widescreen e ultrawide.
Isso mostra que o projeto ainda está em evolução constante.
Windows e Linux são suportados
O port funciona atualmente em Windows x64 e Linux x86-64.
No Windows, o usuário precisa de uma GPU com suporte a OpenGL 3.3 ou superior. Intel, NVIDIA e AMD são suportadas, desde que os drivers corretos do fabricante estejam instalados.
No Linux, os pacotes de lançamento já incluem grande parte das dependências necessárias, simplificando bastante a instalação.
É necessário possuir o próprio Pikmin
O Open Nectar não distribui a ROM nem os arquivos originais da Nintendo.
Para utilizá-lo, o jogador precisa fornecer sua própria imagem de Pikmin USA Rev. 1, nos formatos ISO ou GCM. O launcher verifica o arquivo, extrai os dados necessários e prepara a instalação.
Atualmente, o projeto também recebeu suporte à versão PAL multilíngue através das atualizações mais recentes.
Os desenvolvedores deixam claro que nenhuma ROM ou recurso proprietário da Nintendo está incluído no repositório.
O port ocupa cerca de 1 GB
No Windows, o processo é relativamente simples.
Depois de extrair o pacote, basta executar o launcher, selecionar a imagem do jogo e indicar uma pasta de instalação.
Os arquivos extraídos ocupam cerca de 650 MB, enquanto o pacote completo precisa de aproximadamente 1 GB disponível.
Os saves também ficam armazenados dentro da própria pasta do Open Nectar, facilitando backup e transferência para outro computador.
Performance é bastante leve
A configuração usada pelo desenvolvedor para validação é surpreendentemente modesta.
O jogo foi testado em 1080p utilizando uma GeForce GTX 1050 de 4 GB, indicando que o port não exige hardware recente.
Isso faz sentido considerando que estamos falando de um jogo originalmente desenvolvido para GameCube, mesmo com as melhorias introduzidas pelo novo renderer.
Ainda existem diferenças gráficas
Apesar de a maior parte do jogo já funcionar, os desenvolvedores reconhecem que ainda existem pequenas diferenças gráficas em relação à versão original.
O projeto continua sendo experimental e ainda está recebendo correções.
Portanto, Dolphin permanece uma alternativa mais madura para quem simplesmente deseja jogar Pikmin sem lidar com possíveis bugs de um projeto jovem.
A diferença é que Open Nectar possui um potencial de modificação muito maior.
Desenvolvimento contou com auxílio de IA
O responsável pelo projeto também foi transparente sobre uma característica de seu desenvolvimento.
Parte do trabalho foi realizado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, com o código posteriormente revisado, testado e integrado manualmente.
O projeto é open source e aceita contribuições da comunidade.
A base utilizada vem da descompilação realizada pelo projectPiki, enquanto a camada específica para PC foi criada pelo projeto Open Nectar.
Pikmin entra para a crescente lista de jogos com ports nativos feitos por fãs
O surgimento do Open Nectar acompanha uma tendência cada vez maior dentro da preservação de jogos.
Nos últimos anos, clássicos como Zelda: Ocarina of Time, Donkey Kong 64, Mario Kart Wii, Star Fox e até jogos originalmente lançados para Xbox 360 começaram a receber recompilações ou ports nativos criados pela comunidade.
Esses projetos não substituem os jogos oficiais, mas ajudam a preservar seu funcionamento em hardware moderno e facilitam a criação de melhorias que seriam difíceis de implementar através de emulação tradicional.
Open Nectar pode se tornar a versão definitiva de Pikmin no PC
Ainda é cedo para chamar Open Nectar de versão definitiva do jogo.
O Dolphin continua sendo extremamente maduro e já oferece excelente compatibilidade com Pikmin. Porém, o novo port possui vantagens próprias que podem se tornar cada vez mais relevantes.
Rodar o código diretamente no PC, utilizar 60 ou 120 FPS, jogar em ultrawide, controlar os Pikmin com mouse, modificar a inteligência deles e trabalhar diretamente sobre o código reconstruído abre possibilidades enormes para a comunidade.
E como o projeto é open source, outros desenvolvedores poderão adicionar novos recursos no futuro.
Para um jogo lançado há quase 25 anos, é impressionante ver Pikmin ganhar uma verdadeira vida nova no PC — sem Dolphin, sem emulação e com recursos que o GameCube jamais poderia oferecer.
Veja o Git do projeto:Clique aqui!
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