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Review Denshattack! - Trens, manobras absurdas e uma das maiores surpresas arcade de 2026

Denshattack! transforma trens em verdadeiros skates gigantes, combinando velocidade, manobras, combos e uma estética arcade cheia de personalidade. Com excelente trilha sonora, fases criativas e jogabilidade viciante, o título da Undercoders já soma 150 mil cópias vendidas e 300 mil jogadores.

Por Redfield | 24 ago de 2026 às 23:01 | ⏱️ 14 min de leitura

À primeira vista, Denshattack! parece uma ideia que jamais deveria funcionar: pegar um trem, tratá-lo como se fosse um skate gigantesco e permitir que a locomotiva execute ollies, flips, grinds, wallrides e combinações absurdas enquanto atravessa um Japão futurista. Bastam algumas fases, porém, para perceber que a Undercoders não criou apenas uma piada transformada em videogame. Existe aqui um sistema arcade surpreendentemente profundo, construído para aquele tipo de jogador que termina uma fase e imediatamente pensa: “eu consigo fazer melhor”.

Lançado em 15 de julho de 2026 para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, Denshattack! rapidamente se tornou uma das grandes surpresas independentes do ano. Pouco mais de um mês depois, a Fireshine Games confirmou mais de 150 mil cópias vendidas e 300 mil jogadores, enquanto a recepção no Steam permanece impressionante, com 98% de avaliações positivas e média 88 no Metacritic.

Denshattack gameplayEm Denshattack!, um trem pode executar kickflips, grinds e combos como se fosse um skate de dezenas de toneladas.

Tony Hawk encontra Jet Set Radio — mas com trens

A comparação com Jet Set Radio, Crazy Taxi e outros jogos da era Dreamcast é inevitável. As cores fortes, as linhas pretas marcadas, os efeitos exagerados e a enorme preocupação com estilo parecem saídos diretamente daquele período em que desenvolvedores apostavam em ideias completamente malucas sem perguntar se elas faziam sentido.

Mas existe também bastante de Tony Hawk no DNA de Denshattack!. O objetivo não é simplesmente chegar ao fim do trilho. Você quer chegar rápido, mas também quer executar manobras, manter combos, encontrar oportunidades de grind e terminar com uma pontuação muito maior do que na tentativa anterior. Os estágios começam ensinando boost, saltos e manobras aéreas, mas progressivamente acrescentam grind, wallride e até momentos em que o trem abandona completamente os trilhos.

Denshattack comboQuanto maior a sequência de manobras, maior o multiplicador — e é aí que Denshattack! começa a mostrar sua profundidade.

O sistema não é imediatamente intuitivo. Nas primeiras tentativas é completamente normal errar uma curva, destruir um combo enorme ou simplesmente lançar o trem para fora do percurso. O jogo exige prática e reflexos, mas também possui reinícios rápidos, reduzindo bastante a frustração. Quando os controles finalmente “clicam”, a transformação é enorme: aquilo que inicialmente parecia caótico começa a virar uma dança calculada de velocidade, saltos e grinds.

Emi e a guerra contra a Miraidō

A campanha acompanha Emi, que deixa sua vida comum para entrar no mundo dos Denshattackers. Aos poucos, ela encontra grupos de rebeldes e rivais enquanto enfrenta a poderosa corporação Miraidō, responsável por controlar boa parte desse Japão distópico. A história serve como justificativa para viajar pelo país, conquistar respeito entre diferentes gangues e, naturalmente, descobrir quem consegue pilotar o trem mais rápido e estiloso possível.

O jogo utiliza sequências de diálogo com uma apresentação próxima de uma visual novel. Os personagens possuem bastante personalidade e combinam perfeitamente com a estética exagerada, embora esse seja também um ponto potencialmente divisivo. Para quem está completamente interessado no lado arcade, algumas conversas podem parecer uma interrupção desnecessária entre duas fases frenéticas. A boa notícia é que essas sequências podem ser puladas. A Nintendo Life, por exemplo, gostou muito da jogabilidade, mas considerou parte da narrativa excessiva para o ritmo da experiência.

A história, entretanto, ajuda a dar contexto para o mundo. Não estamos apenas selecionando fases em um menu: cada região apresenta seus próprios personagens, confrontos e situações, fazendo a viagem de Emi parecer uma verdadeira jornada pelo Japão.

As fases constantemente tentam algo novo

Um dos maiores méritos de Denshattack! é evitar que sua excelente mecânica central fique cansativa rapidamente. Segundo informações oficiais, são mais de 60 fases distribuídas por oito regiões e 46 prefeituras, acompanhadas de desafios secundários e diferentes medalhas.

Existem trajetos urbanos, áreas costeiras, campos, regiões congeladas e lugares muito mais absurdos. Algumas fases exigem pontuação, outras colocam maior pressão sobre velocidade, enquanto determinadas situações praticamente transformam o jogo em outra coisa por alguns minutos.

Denshattack roda giganteEm determinado momento, até uma roda-gigante pode acabar fazendo parte do percurso.

Esse compromisso com variedade é fundamental. A Nintendo Life cita desde trajetos dentro de um vulcão até uma roda-gigante deslocada e uma participação em uma apresentação Kabuki, enquanto a própria página oficial promete cidades gigantes, oceanos, vulcões e cenários progressivamente mais extravagantes.

Denshattack! entende que sua ideia principal já é absurda e, em vez de tentar controlá-la, decide constantemente torná-la ainda mais absurda.

Fazer um combo perfeito é extremamente satisfatório

O verdadeiro objetivo aparece quando você para de pensar apenas em sobreviver à fase e começa a enxergar o cenário inteiro como uma oportunidade de pontuação.

Um salto não é apenas um salto. Ele pode virar uma rotação seguida por grind, outro salto, transferência para uma segunda linha e mais uma manobra antes de tocar novamente no trilho. Manter a sequência aumenta brutalmente a pontuação e, em determinados níveis de combo, trilhos especiais coloridos aparecem, abrindo novas possibilidades de percurso e ainda mais pontos.

Denshattack litoralAs melhores tentativas parecem uma mistura de corrida, jogo de skate e score attack em velocidade absurda.

É justamente aí que nasce a rejogabilidade. Terminar uma fase é apenas a primeira etapa. Depois você começa a querer melhorar a medalha, aumentar o combo, encontrar uma trajetória superior ou simplesmente reduzir alguns segundos do tempo anterior.

Para determinado público, isso pode facilmente transformar uma campanha relativamente direta em dezenas de horas de tentativa e aperfeiçoamento.

Um Japão futurista extremamente bonito

Visualmente, Denshattack! possui uma personalidade enorme. O cel shading, as cores saturadas, efeitos de velocidade e enormes elementos de interface fazem a tela parecer uma mistura de anime, grafite e jogo arcade do começo dos anos 2000.

Não existe nenhuma tentativa de realismo. Um vagão de trem literalmente voa pelo cenário e gira no ar enquanto palavras gigantes aparecem na tela informando a manobra realizada.

E funciona perfeitamente.

Denshattack cenárioEntre cidades fechadas por enormes estruturas e paisagens naturais, Denshattack! raramente fica visualmente monótono.

A direção artística ajuda inclusive na leitura da jogabilidade. Trilhos, obstáculos, rampas e caminhos especiais precisam ser reconhecidos rapidamente porque o jogo se move em enorme velocidade. Apesar do excesso proposital de efeitos, depois de algum tempo é possível identificar aquilo que realmente importa em meio ao caos.

A trilha sonora merece um destaque enorme

Se o visual parece inspirado pela era Dreamcast, a música praticamente confirma essa intenção. O soundtrack possui 81 faixas e é liderado por Tee Lopes, acompanhado por nomes como Richard Jacques, 2 Mello, Ryo Nagamatsu, Takenobu Mitsuyoshi, Sean Bialo e Kohta Takahashi. O resultado passa por funk, synthwave e diferentes estilos de música eletrônica e arcade.

É difícil imaginar Denshattack! funcionando tão bem sem essa trilha. A música acompanha perfeitamente a velocidade das fases e cria aquela sensação maravilhosa de jogar algo que teria causado uma enorme impressão se aparecesse em um Dreamcast desconhecido vinte anos atrás.

São 81 músicas, não simplesmente algumas faixas repetidas durante toda a campanha, o que ajuda muito em um jogo baseado em repetir fases para melhorar resultados.

Os chefes abraçam completamente o absurdo

As batalhas de chefe levam a ideia de “trens fazendo skate” para outro patamar. A Undercoders promete desde garotas mágicas mecânicas e castelos em movimento até vermes gigantes e exércitos de Denshattackers.

A lógica continua sendo utilizar aquilo que aprendemos nas fases anteriores, mas agora aplicado a confrontos muito mais cinematográficos. Em vez de abandonar suas mecânicas para introduzir batalhas tradicionais, o jogo tenta fazer velocidade, manobras e trajetória continuarem relevantes.

Denshattack cidadeMesmo dentro das cidades, os percursos parecem enormes parques de manobras ferroviárias.

Os confrontos ajudam bastante a separar os capítulos e impedir que a campanha pareça simplesmente uma sucessão de desafios de pontuação.

Existe uma curva de aprendizado

Denshattack! não é difícil apenas porque se move rápido. O problema inicial é aprender a pensar como o jogo espera.

Você precisa antecipar curvas, entender o momento correto para iniciar uma manobra e decidir quando vale a pena correr atrás de pontos ou simplesmente garantir o pouso. O resultado das primeiras fases pode ser uma sequência de medalhas Bronze acompanhada daquela sensação de que todos os vídeos do jogo parecem estar sendo executados por pessoas jogando algo completamente diferente.

Mas isso faz parte da proposta. A satisfação aparece justamente quando uma fase que parecia impossível começa a parecer natural depois de algumas tentativas.

O lado negativo é que jogadores sem paciência para repetir percursos provavelmente não aproveitarão Denshattack! na mesma intensidade. Existe campanha e história, mas o coração do jogo continua sendo mastery: melhorar aquilo que você acabou de fazer.

A estrutura é mais linear do que parece

Existe também uma expectativa que vale corrigir antes da compra. Apesar dos enormes cenários e da sensação de liberdade transmitida pelos trailers, boa parte das fases utiliza trajetos relativamente definidos.

Não estamos diante de Tony Hawk em grandes mapas abertos. Denshattack! está muito mais interessado em conduzir o jogador por um percurso e perguntar: “o que você consegue fazer enquanto atravessa isso?”

Isso não prejudica a proposta, mas é importante para quem espera exploração livre. Mesmo comentários recentes da comunidade destacam que os estágios são mais próximos de rotas lineares que precisam ser dominadas do que verdadeiros mapas de free-roam.

Personalizar seu trem é parte da graça

Avançar também libera cores, padrões e adesivos para personalizar os trens. É predominantemente estético, mas combina perfeitamente com um jogo tão preocupado com estilo.

Se você vai executar um kickflip com um trem, pelo menos faça isso utilizando um vagão completamente absurdo.

A versão para PC também oferece interface e legendas em português do Brasil, algo confirmado pela própria página da Steam.

A Platinum Update já adicionou um motivo para voltar

Pouco mais de um mês depois do lançamento, a Undercoders já disponibilizou gratuitamente a Platinum Update. A atualização de 20 de agosto adicionou medalhas Platinum para todas as fases, uma nova locomotiva desbloqueada ao conquistar todas elas e uma opção para rever cutscenes diretamente pelo mapa.

Isso combina perfeitamente com a proposta. Jogadores que já conseguiram todas as medalhas Gold agora possuem uma meta ainda mais difícil.

E as exigências para Platinum não parecem exatamente misericordiosas.

150 mil cópias e 300 mil jogadores

Os números conquistados em pouco mais de um mês ajudam a demonstrar que a ideia encontrou público. A Fireshine Games anunciou mais de 150 mil unidades vendidas mundialmente e 300 mil jogadores, enquanto a própria desenvolvedora celebrou os 98% de aprovação na Steam e a média 88 no Metacritic.

O número maior de jogadores em relação às vendas também é explicado pela presença do título em serviços de assinatura, incluindo Game Pass.

É um resultado especialmente interessante para um jogo independente baseado em uma ideia tão peculiar. Denshattack! não tenta seguir uma tendência segura; literalmente colocou rodas imaginárias de skate em um trem e decidiu construir o jogo inteiro ao redor disso.

Denshattack! vale a pena?

Sim, principalmente para quem sente falta daquele estilo de jogo arcade que prioriza diversão, pontuação e domínio mecânico.

Não é necessário gostar de trens. Também não é necessário conhecer profundamente Jet Set Radio, Crazy Taxi ou Tony Hawk para entender sua proposta. O jogo consegue estabelecer identidade própria muito rapidamente.

A curva de aprendizado pode ser dura, e quem pretende simplesmente terminar cada estágio uma vez estará ignorando parte importante daquilo que torna o sistema especial. Algumas sequências narrativas também podem parecer longas demais para jogadores interessados exclusivamente na ação, embora possam ser puladas.

Mas quando Denshattack! funciona, ele funciona muito bem.

É rápido, barulhento, colorido e completamente comprometido com sua própria insanidade.

Veredito

Denshattack! é uma das maiores surpresas arcade de 2026. Sua ideia parece absurda no papel, mas a Undercoders construiu ao redor dela um sistema de movimentação e pontuação genuinamente viciante. A combinação de velocidade, combos, fases constantemente inventivas e uma trilha sonora excepcional cria aquela sensação rara de estar jogando algo que não parece ter sido desenvolvido por uma planilha de tendências.

Existem problemas. A curva de aprendizado exige paciência, parte da narrativa pode quebrar o ritmo e a estrutura não possui a liberdade que seus enormes cenários inicialmente sugerem. Porém, nenhuma dessas limitações destrói aquilo que realmente importa: controlar o trem é extremamente divertido.

Mais importante ainda, Denshattack! entende algo que muitos jogos modernos esquecem. Às vezes não precisamos de realismo, sistemas gigantescos ou centenas de horas de conteúdo. Precisamos apenas de uma ideia maluca executada com confiança.

E transformar um trem em um skate gigante certamente se enquadra nessa categoria.

Denshattack! mistura a energia de Jet Set Radio e Crazy Taxi com um sistema de manobras inspirado em jogos de skate, colocando trens para executar flips, grinds e combos em um Japão futurista extremamente estiloso. Com excelente trilha sonora, fases criativas e enorme rejogabilidade, o título da Undercoders é uma das grandes surpresas arcade de 2026 e já ultrapassou 150 mil cópias vendidas e 300 mil jogadores.

Veredito Final

Obra-prima 🏆
9.0

Prós

  • + Jogabilidade arcade extremamente divertida
  • + Sistema de combos viciante
  • + Visual estilizado com forte identidade
  • + Fases constantemente apresentam novas ideias
  • + Trilha sonora excepcional
  • + Excelente rejogabilidade
  • + Personalização dos trens
  • + Português do Brasil

Contras

  • - Curva de aprendizado pode assustar no início
  • - Algumas sequências de diálogo quebram o ritmo arcade
  • - Estrutura das fases é mais linear do que a aparência sugere
  • - Buscar as melhores medalhas exige bastante repetição
PS5 XBOX SERIES STEAM SWITCH SWITCH 2
Autor
Postado por Redfield
Redfield | SoulsGamer 🎮
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