Editora de PS5 defende jogos físicos e diz que mídia em disco ainda alcança jogadores que o digital não consegue
Enquanto a Sony caminha para encerrar a produção de jogos físicos para PlayStation em 2028, uma importante publicadora afirma que a mídia em disco continua sendo essencial para atingir públicos que ainda enfrentam barreiras ao mercado digital.

A decisão da Sony Interactive Entertainment de encerrar a produção de novos jogos físicos para PlayStation a partir de janeiro de 2028 continua gerando repercussão na indústria. Enquanto a empresa aposta em um futuro totalmente digital, algumas publicadoras acreditam que os discos ainda desempenham um papel importante para milhões de jogadores ao redor do mundo.
Em entrevista à GamesRadar, Mikael Haveri, diretor de publicação da Remedy Entertainment, afirmou que, apesar do crescimento das lojas digitais, as edições físicas continuam sendo fundamentais para alcançar consumidores que muitas vezes não têm acesso ideal à internet ou simplesmente preferem comprar jogos em formato tradicional.
"Físico e digital são complementares"
Segundo Haveri, a discussão não deveria colocar mídia física e distribuição digital como rivais.
Na visão da Remedy, ambos os formatos cumprem papéis diferentes dentro do mercado e podem coexistir. Enquanto as lojas digitais facilitaram a distribuição global e tornaram os jogos mais acessíveis para muitos consumidores, as versões físicas ainda atendem públicos que o ambiente digital nem sempre consegue alcançar.
O executivo destacou que existem regiões onde a infraestrutura de internet continua limitada, além de consumidores que valorizam colecionar jogos, emprestar discos ou revendê-los posteriormente.
Digital ampliou o acesso, mas nem para todos
Haveri reconhece que a distribuição digital revolucionou a indústria dos games.
Hoje, jogadores podem comprar títulos instantaneamente, realizar downloads automáticos, aproveitar promoções frequentes e acessar bibliotecas inteiras sem sair de casa.
Mesmo assim, ele acredita que essa facilidade não atende todos os perfis de consumidores.
Em muitos mercados, especialmente onde conexões rápidas ainda não são realidade, baixar jogos que ultrapassam facilmente os 100 GB continua sendo um grande obstáculo. Nesses casos, a mídia física ainda representa a forma mais prática de adquirir um lançamento.
Colecionadores continuam valorizando discos
Outro ponto levantado pela Remedy envolve os jogadores que gostam de manter uma coleção física.
Para esse público, possuir uma caixa, capa e disco continua fazendo parte da experiência de comprar um novo jogo.
Além disso, a mídia física permite emprestar jogos para amigos, revendê-los após terminar a campanha ou simplesmente preservá-los como itens de coleção — características que desaparecem em um modelo exclusivamente digital.
Debate ganhou força após decisão da Sony
As declarações acontecem poucas semanas após a Sony anunciar que deixará de produzir discos para novos jogos de PlayStation lançados a partir de 2028.
Segundo a empresa, a decisão acompanha a mudança no comportamento dos consumidores e o crescimento constante das vendas digitais.
No entanto, o anúncio gerou forte reação entre jogadores, entidades ligadas à preservação dos games e parte da própria indústria, que demonstraram preocupação com questões relacionadas à propriedade dos jogos, preservação histórica e acesso ao conteúdo no futuro.
Remedy continua apostando nos dois formatos
Apesar da tendência de mercado, a Remedy afirma que continuará tratando versões físicas e digitais como complementares.
O estúdio entende que cada formato atende necessidades diferentes e que oferecer opções amplia o alcance de seus jogos.
Essa estratégia também beneficia mercados onde o varejo tradicional ainda possui forte presença e onde as vendas em mídia física continuam representando uma parcela importante do faturamento.
O futuro pode ser digital, mas a transição ainda divide opiniões
O mercado caminha rapidamente para um cenário cada vez mais digital, impulsionado por serviços online, assinaturas e pela popularização dos consoles sem leitor de discos.
Mesmo assim, as declarações da Remedy mostram que ainda existe espaço para a mídia física, especialmente entre colecionadores, consumidores com acesso limitado à internet e jogadores que valorizam o conceito de propriedade sobre seus jogos.
Com a Sony já confirmando o fim da produção de novos discos para PlayStation em 2028, a discussão sobre o futuro da mídia física promete continuar nos próximos anos. Resta saber se outras publicadoras seguirão defendendo a coexistência entre os dois formatos ou se o mercado caminhará definitivamente para um modelo exclusivamente digital.
Fonte: GamesRadar
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