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Hideo Kojima critica fim da mídia física: "É assustador pensar no futuro da propriedade dos jogos"

Criador de Metal Gear Solid diz que o desaparecimento dos discos representa uma ameaça à preservação e ao verdadeiro conceito de posse de jogos e filmes.

Por admin | 05 jul de 2026 às 22:58 | ⏱️ 4 min de leitura

A decisão da Sony de encerrar a produção de novos jogos em mídia física para o PlayStation a partir de 2028 continua repercutindo na indústria. Depois de jogadores, desenvolvedores e até políticos criticarem a medida, chegou a vez de um dos nomes mais influentes dos videogames se manifestar.

Durante uma participação no festival Il Cinema in Piazza, na Itália, Hideo Kojima, criador das franquias Metal Gear e Death Stranding, afirmou que considera o fim da mídia física um cenário "realmente triste" e disse estar preocupado com o futuro da propriedade digital.

"Eu cresci com a mídia física"

Segundo Kojima, sua preocupação vai além dos videogames.

O diretor explicou que cresceu cercado por discos, CDs e filmes em Blu-ray, e que ainda hoje continua comprando cópias físicas justamente por acreditar que elas representam uma forma mais segura de preservar obras culturais.

"Como a produção vai acabar em 2028, estamos falando de videogames, mas eu cresci com a mídia física, então acho isso realmente triste."

Kojima revelou ainda que continua adquirindo Blu-rays e CDs sempre que pode, justamente por não confiar completamente em um futuro baseado apenas em licenças digitais.

O verdadeiro medo é a nuvem

Embora o fim dos discos já o preocupe, Kojima acredita que o próximo passo da indústria pode ser ainda mais delicado: o avanço do cloud gaming.

Segundo ele, quando os jogos passam a existir exclusivamente em servidores controlados pelas empresas, o consumidor deixa de possuir efetivamente aquele conteúdo.

Em vez de comprar um produto, o jogador passa a depender da infraestrutura da empresa para continuar tendo acesso ao que adquiriu. Caso um serviço seja encerrado ou uma licença seja removida, o acesso ao jogo pode simplesmente desaparecer. 

Debate sobre preservação ganha força

As declarações de Kojima chegam justamente em um momento em que a discussão sobre preservação de jogos nunca esteve tão intensa.

Após a Sony anunciar que deixará de produzir novos jogos em mídia física a partir de janeiro de 2028, surgiram campanhas de boicote, petições online e movimentos em defesa da preservação dos videogames. Em poucos dias, iniciativas como a campanha "Don't Kill the Disc" ultrapassaram a marca de 100 mil assinaturas, mostrando que uma parcela significativa da comunidade ainda valoriza os jogos físicos.

Colecionadores e especialistas também alertam que o desaparecimento da mídia física pode dificultar a preservação histórica dos videogames, tornando os jogadores cada vez mais dependentes das decisões das plataformas digitais.

Um debate que está apenas começando

Embora a indústria caminhe rapidamente para um futuro cada vez mais digital, as palavras de Hideo Kojima mostram que o tema está longe de ser consenso.

Para o diretor, a conveniência do formato digital não pode substituir completamente o conceito de propriedade. Enquanto empresas apostam em serviços por assinatura, downloads e jogos na nuvem, cresce a preocupação de que os consumidores passem a ter apenas uma licença temporária de acesso, em vez de realmente possuir aquilo que compraram.

Com a transição para um mercado totalmente digital se aproximando, o debate sobre preservação, propriedade e direitos do consumidor promete continuar no centro das discussões da indústria nos próximos anos.

Fonte: Insider Gaming 

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