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Celeste e TowerFall são removidos da loja do Xbox em apoio a boicote

Celeste e TowerFall foram retirados da loja do Xbox por decisão ligada ao apoio ao movimento BDS, que defende boicotes contra empresas associadas a Israel. A medida, atribuída à desenvolvedora Maddy Thorson, reacende o debate sobre ativismo político na indústria dos games e o impacto dessas decisões sobre os jogadores.

Por Sebastian Castellanos | 29 out de 2026 às 18:45 | ⏱️ 7 min de leitura

Os jogadores de Xbox foram surpreendidos nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com a retirada de Celeste e TowerFall da loja digital da plataforma. A decisão foi associada ao apoio ao movimento BDS, uma campanha internacional que promove boicotes, desinvestimentos e sanções contra Israel em razão de suas políticas em relação aos palestinos.

De acordo com a publicação original, Maddy Thorson, desenvolvedora envolvida na criação dos dois jogos, confirmou a decisão em uma publicação nas redes sociais. A iniciativa coloca dois títulos independentes conhecidos entre os jogadores no centro de uma discussão que ultrapassa o mercado de videogames.

Por que Celeste e TowerFall foram retirados do Xbox?

A justificativa foi apresentada diretamente por Maddy Thorson em uma publicação no Bluesky. A desenvolvedora confirmou que os dois títulos foram removidos intencionalmente da loja do Xbox para apoiar o boicote do movimento BDS.

A sigla BDS corresponde a Boycott, Divestment and Sanctions, ou Boicote, Desinvestimento e Sanções. O movimento, de origem palestina, busca pressionar instituições e empresas por meio de medidas econômicas e políticas relacionadas aos direitos dos palestinos.

A Microsoft está entre as empresas criticadas pela organização devido às suas relações com Israel, especialmente pelo fornecimento de infraestrutura tecnológica, serviços de computação em nuvem e recursos de inteligência artificial.

A discussão ganhou força após reportagens sobre o uso de tecnologias da Microsoft por estruturas militares e de inteligência israelenses. A empresa tomou medidas para restringir determinados usos de seus serviços, mas isso não encerrou as críticas nem levou o BDS a retirar a companhia de seus alvos de campanha.

É nesse contexto que a retirada dos jogos deve ser compreendida. A decisão não foi apresentada como consequência de problemas técnicos, mudanças de licenciamento ou dificuldades de desenvolvimento, mas como uma manifestação política deliberada.

O que muda para os jogadores de Xbox?

O principal efeito imediato é a impossibilidade de comprar os dois títulos pela loja do Xbox enquanto permanecerem fora do catálogo. Para quem ainda não possui os jogos e pretendia adquiri-los no console, a decisão representa uma limitação concreta de acesso.

Por outro lado, a remoção da loja não significa automaticamente que as cópias já compradas tenham sido apagadas das bibliotecas digitais. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, os jogadores que possuem os títulos devem continuar tendo acesso às respectivas licenças.

É importante diferenciar a retirada comercial de um jogo da revogação de uma licença. No primeiro caso, o produto deixa de estar disponível para novas compras em determinada loja. No segundo, o acesso de quem já adquiriu o título é afetado, algo que não foi indicado como consequência da decisão.

A disponibilidade pode variar conforme a plataforma e a edição do jogo. A retirada relatada diz respeito à loja do Xbox e não deve ser interpretada como um cancelamento geral dos dois projetos.

Dois jogos independentes com trajetórias diferentes

Lançado em 2018, Celeste é um jogo de plataforma 2D conhecido pelos desafios de precisão, pela progressão baseada em tentativas e erros e pela história de Madeline, uma jovem que tenta escalar uma montanha enquanto enfrenta dificuldades pessoais. O título conquistou reconhecimento da crítica e se tornou uma referência entre os jogos independentes.

Já TowerFall aposta em confrontos de curta duração, com arqueiros disputando arenas em partidas que privilegiam reflexos, posicionamento e conhecimento dos cenários. O jogo ganhou destaque pelo multiplayer local e pela simplicidade de suas mecânicas, que favorecem partidas competitivas entre amigos.

Embora tenham propostas diferentes, os dois jogos compartilham uma trajetória ligada ao desenvolvimento independente. A retirada conjunta também evidencia como decisões de estúdios menores podem ter repercussão para além do conteúdo de seus próprios projetos.

A decisão faz parte de um movimento maior

O caso não é isolado. Em outubro de 2026, o estúdio House House também anunciou que Big Walk não seria lançado no Xbox em apoio ao boicote BDS. A decisão mostra que parte dos desenvolvedores independentes está disposta a abrir mão da presença em uma plataforma comercial relevante para defender posicionamentos políticos.

Esse tipo de iniciativa envolve uma escolha difícil. Ao mesmo tempo que permite aos criadores demonstrar oposição a práticas empresariais que consideram problemáticas, também reduz as opções disponíveis para consumidores que preferem jogar no Xbox.

Para os jogadores, a discussão envolve questões que vão além da preferência por um console. Ela inclui o papel das empresas de tecnologia em conflitos internacionais, a responsabilidade dos estúdios e os limites entre decisões comerciais e posicionamentos políticos.

Ainda não é possível determinar qual será o impacto financeiro da retirada de Celeste e TowerFall, nem se outros desenvolvedores adotarão medidas semelhantes. Também não há indicação confirmada de quando os jogos poderão voltar à loja do Xbox.

Conclusão

A retirada de Celeste e TowerFall da loja do Xbox representa uma manifestação política explícita de Maddy Thorson em apoio ao movimento BDS. A decisão coloca os dois jogos no centro do debate sobre as relações da Microsoft com Israel e o papel da indústria dos videogames em campanhas de boicote.

Para quem já possui os títulos, a remoção comercial não significa, por si só, a perda das licenças. Para novos compradores, entretanto, a medida restringe as opções de aquisição no ecossistema Xbox.

O desdobramento mais importante será observar se a iniciativa permanece pontual ou se integra uma mobilização mais ampla de estúdios independentes contra a Microsoft. Até lá, a decisão demonstra como questões políticas podem influenciar diretamente a distribuição e a disponibilidade de jogos.

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Postado por Sebastian Castellanos
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