Resident Evil: Jun Takeuchi diz que remakes vão alcançar jogos numerados e Capcom já prepara um “crossover”
Jun Takeuchi revelou que a Capcom já pensa no momento em que a linha de remakes de Resident Evil alcançar cronologicamente os jogos numerados atuais. Segundo o produtor, elementos introduzidos desde Resident Evil Village e retomados em Requiem fazem parte da preparação para uma futura convergência entre essas duas frentes da franquia.

A Capcom parece ter planos de longo prazo bem mais ambiciosos para Resident Evil do que simplesmente alternar novos capítulos com remakes de jogos antigos. Em uma entrevista publicada no livro comemorativo Nikkei Entertainment! BIOHAZARD 30th Special, Jun Takeuchi comentou diretamente sobre o futuro das duas linhas que atualmente sustentam a série.
Segundo o produtor, Resident Evil está sendo desenvolvido em duas direções paralelas: enquanto os títulos numerados continuam avançando a história e a cronologia, os remakes permitem que os jogadores revisitem acontecimentos do passado com uma abordagem moderna.
O ponto mais curioso é que a Capcom já está pensando no que acontecerá quando essas duas linhas finalmente se encontrarem.
A existência do livro é oficial: a Capcom lançou o BIOHAZARD 30th Special em 25 de setembro de 2026, com 124 páginas dedicadas aos 30 anos da franquia, incluindo entrevistas e comentários de membros da equipe de desenvolvimento.

Remakes e jogos numerados seguem caminhos diferentes — por enquanto
Takeuchi explica que a estratégia atual funciona como duas linhas temporais de desenvolvimento.
De um lado estão jogos como Resident Evil 7, Village e Requiem, que continuam levando a narrativa da série para frente. Do outro estão títulos como Resident Evil 2, Resident Evil 3 e Resident Evil 4, recriados para uma nova geração através da linha de remakes.
O executivo afirmou que chegará um momento em que a série de remakes alcançará a época retratada pelos títulos numerados mais recentes e que a Capcom já considera o que fará quando isso acontecer.
É aqui que aparece a palavra que está chamando atenção dos fãs: “crossover”.
Segundo Takeuchi, a preparação para essa futura convergência começou gradualmente por volta de Resident Evil Village.
Referências a Umbrella, Ozwell E. Spencer e outros elementos históricos da franquia, além do retorno de Raccoon City em Resident Evil Requiem, fariam parte dessa tentativa de criar ligações mais fortes entre o passado e o presente da série.
Resident Evil 7 foi o ponto de virada
Takeuchi também aponta Resident Evil 7 como um título particularmente importante nessa mudança de filosofia.
Inicialmente, segundo o produtor, algumas conexões com jogos antigos eram colocadas quase como fan service. Porém, a reação dos fãs foi muito maior do que a Capcom imaginava.
Jogadores começaram não apenas a reconhecer as referências, mas também a discutir possíveis significados e conexões narrativas que a própria equipe vinha considerando internamente.
A recepção levou a Capcom a investir ainda mais nessa abordagem em Village e posteriormente em Resident Evil Requiem.
Isso combina com a maneira como a empresa já descrevia Requiem antes mesmo de seu lançamento. Em relatórios corporativos, a Capcom apresentou o jogo como um título que utiliza acontecimentos e personagens do passado para avançar a história da franquia, com Raccoon City novamente ocupando posição importante.

Isso confirma remakes de Resident Evil 5 e 6?
Não.
Embora seja uma conclusão bastante tentadora, Takeuchi não anunciou Resident Evil 5 Remake ou Resident Evil 6 Remake nessa declaração.
O que foi confirmado é a intenção de continuar trabalhando com essa estrutura de jogos novos e revisitações do passado e de preparar a franquia para o momento em que os dois caminhos se aproximarem.
Algumas publicações interpretaram as declarações como uma indicação de que RE5 e RE6 inevitavelmente entrarão na fila dos remakes, mas isso continua sendo interpretação, não anúncio oficial.
A diferença é importante.
A Capcom pode utilizar remakes de outros títulos antes de chegar a Resident Evil 5, pode alterar a ordem dos projetos ou até mesmo mudar a maneira como chama essas futuras recriações.
Portanto, por enquanto, qualquer afirmação de que RE5 Remake ou RE6 Remake já estão oficialmente em desenvolvimento vai além do que Takeuchi realmente revelou.

Capcom já trata os remakes como parte importante da história
A divisão entre passado e presente também aparece na forma como a própria Capcom comercializou os jogos durante o aniversário de 30 anos.
O BIOHAZARD 30th Special Pack Vol.2, lançado no Japão, reuniu especificamente Resident Evil 2, Resident Evil 3 e Resident Evil 4 em suas versões remake, enquanto outro pacote concentrou Requiem, Resident Evil 7 e Village.
Na prática, os dois pacotes quase materializam essa estratégia descrita por Takeuchi: uma coleção representa a reconstrução do passado enquanto a outra mostra a fase moderna da história.
Os remakes também não são simples remasterizações.
Resident Evil 2, 3 e 4 foram reconstruídos utilizando tecnologia, direção, mecânicas e apresentação modernas, além de alterações narrativas e de design. Por isso, eles funcionam como novas interpretações dos acontecimentos originais, ainda que preservem personagens e eventos fundamentais.
O que exatamente seria esse “crossover”?
Essa é a grande pergunta que Takeuchi ainda não respondeu completamente.
O termo não necessariamente significa colocar personagens de todos os jogos juntos em um único Resident Evil. Pelo contexto da entrevista, a ideia parece estar mais relacionada à convergência narrativa entre aquilo que os remakes estão reconstruindo e os acontecimentos dos jogos atuais.
Requiem já oferece um exemplo claro desse conceito ao voltar a elementos ligados ao incidente de Raccoon City enquanto continua a cronologia moderna.
Takeuchi também sugeriu que os jogadores deverão compreender melhor o significado desse crossover antes de Resident Evil completar 40 anos, embora não tenha revelado exatamente como isso acontecerá.
Isso dá à Capcom bastante espaço para conectar décadas de histórias sem necessariamente abandonar os jogos numerados.

Resident Evil pode estar construindo uma linha narrativa muito maior
A declaração é especialmente interessante porque mostra que várias referências vistas nos últimos jogos podem não ter sido adicionadas apenas como nostalgia.
Umbrella, Spencer, Raccoon City e outros elementos clássicos parecem estar sendo utilizados para aproximar gradualmente duas eras diferentes da franquia.
Ao mesmo tempo, a Capcom continua reconstruindo partes importantes desse passado através dos remakes.
Ainda não sabemos qual será o próximo jogo a receber esse tratamento nem até onde a empresa pretende levar a linha RE, mas agora existe uma indicação clara de que há um planejamento para o momento em que essas histórias começarem a se encontrar.
E, pelo que Jun Takeuchi revelou, a preparação para isso já começou há vários anos.
Fonte:Gamesradar
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