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Pokémon Let's Go e Brilliant Diamond ganham ports nativos para PC com suporte a 4K, 60 FPS e novas funcionalidades

Dois projetos independentes estão levando jogos de Pokémon do Nintendo Switch para o PC. O Let's Go Recomp e o uDPR oferecem versões nativas para Windows, melhorias gráficas e controles adaptados, sem depender de emuladores tradicionais.

Por Redfield | 19 out de 2026 às 12:29 | ⏱️ 10 min de leitura

A comunidade de desenvolvimento independente continua avançando na adaptação de jogos do Nintendo Switch para computadores. Desta vez, dois projetos disponibilizados no GitHub chamaram a atenção por permitir a execução nativa de diferentes títulos da franquia Pokémon no Windows, utilizando tecnologias distintas para reconstruir o funcionamento dos jogos.

O primeiro deles é o Let's Go Recomp, desenvolvido por raulzrrs, que utiliza recompilação estática para converter o código original de Pokémon: Let's Go, Eevee! e Pokémon: Let's Go, Pikachu! em programas compatíveis com computadores x86-64. O projeto já consegue executar diversas partes dos jogos e oferece melhorias como resolução 4K, filtros gráficos e um modo experimental de 60 FPS.

O segundo é o uDPR, mantido no repositório de shatter9652, uma derivação do projeto original de Manurocker95. Sua proposta é reconstruir Pokémon Brilliant Diamond como um projeto Unity, permitindo executar o jogo nativamente no Windows e adicionar recursos que não estão disponíveis na versão original do console.

Embora os dois projetos adotem técnicas diferentes, ambos compartilham um objetivo: executar esses jogos fora do hardware original, aproveitando recursos dos computadores modernos. Nenhum deles é oficial ou distribui os arquivos comerciais da Nintendo.

Let's Go Recomp permite jogar Pokémon Let's Go nativamente no PC

O Let's Go Recomp utiliza como base a tecnologia do LAS Recomp, projeto desenvolvido por Peiikai para a recompilação estática de The Legend of Zelda: Link's Awakening.

Seu funcionamento consiste em converter as instruções ARM64 do jogo original para código C, que posteriormente é compilado para a arquitetura x86-64 utilizada nos computadores. Uma camada de execução substitui serviços do Nintendo Switch, incluindo gráficos, áudio, controles e funções do sistema.

Diferentemente de um emulador tradicional, o programa resultante executa código recompilado para o processador do PC. Entretanto, isso não elimina a necessidade de reproduzir corretamente os serviços e comportamentos esperados pelo jogo.

Segundo a documentação oficial, o Let's Go Recomp já consegue executar a introdução, explorar cidades, capturar Pokémon selvagens, realizar batalhas contra treinadores, acessar menus e utilizar o sistema de salvamento.

Os desenvolvedores também confirmaram o funcionamento de interações com Eevee, incluindo a possibilidade de acariciar o Pokémon utilizando o mouse ou controle.

Apesar dos avanços, a campanha completa ainda não foi testada do início ao fim. A maior parte das verificações foi realizada com Let's Go, Eevee! na versão 1.0.0, enquanto Let's Go, Pikachu! recebeu suporte posteriormente e possui uma cobertura de testes menor.

Resolução 4K, melhorias gráficas e 60 FPS experimental

Uma das principais vantagens do Let's Go Recomp é a possibilidade de executar os jogos em resoluções superiores às oferecidas pelo Nintendo Switch.

O projeto permite selecionar resoluções internas entre 720p e 4K, além de utilizar supersampling para melhorar a qualidade da imagem mesmo em monitores com resolução inferior.

Também foram implementados filtros como SMAA, destinado a reduzir serrilhados, e filtragem anisotrópica de até 16x, que melhora a definição das texturas visualizadas em determinados ângulos.

O sistema gráfico utiliza Vulkan 1.3 e conta com cache de shaders, reduzindo a necessidade de recompilar efeitos já processados anteriormente.

Nos testes divulgados pelos responsáveis, Let's Go, Eevee! manteve aproximadamente 30 FPS durante uma sessão de quatro minutos na Route 1, utilizando um computador com Intel Core i5-14600KF e GeForce RTX 3080.

O projeto também apresenta um modo experimental de 60 FPS, mas existem limitações importantes. A exploração do mundo pode funcionar nessa taxa, enquanto batalhas e capturas continuam em 30 FPS. Dessa forma, o recurso não representa uma experiência integralmente desbloqueada para 60 quadros por segundo.

Outro diferencial é a possibilidade de ativar batalhas tradicionais contra Pokémon selvagens, substituindo parte do sistema de encontros por confrontos antes da captura. Essa funcionalidade também é experimental e ainda possui diferenças em relação às mecânicas originais da franquia.

Let's Go Recomp oferece tradução em português brasileiro

Para os jogadores brasileiros, um dos recursos mais interessantes é a compatibilidade com traduções desenvolvidas pela comunidade.

O launcher permite instalar pacotes de tradução no formato utilizado por modificações LayeredFS, incluindo arquivos ZIP, RAR e 7Z.

O projeto foi testado com a tradução brasileira produzida pelo grupo Pokémon Switch Brasil, que substitui textos e outros elementos do jogo.

A tradução não está incluída no repositório, sendo distribuída separadamente por seus autores. O usuário precisa instalar o pacote correspondente e selecionar o idioma adequado para que os textos sejam substituídos.

O suporte a controles também foi adaptado para computadores, permitindo utilizar teclado e mouse ou gamepads. Até mesmo a movimentação necessária para lançar Poké Balls pode ser realizada pelo mouse ou analógico.

uDPR reconstrói Pokémon Brilliant Diamond dentro da Unity

Enquanto o Let's Go Recomp utiliza recompilação estática, o uDPR segue um caminho diferente para adaptar Pokémon Brilliant Diamond.

O projeto reconstrói o jogo como uma aplicação Unity, utilizando código C# recuperado a partir do executável original e arquivos extraídos de uma cópia do título.

Como Brilliant Diamond foi desenvolvido com Unity e convertido para código nativo por meio do IL2CPP, os responsáveis conseguiram recuperar estruturas e comportamentos do programa e reconstruir uma versão executável no computador.

O resultado é um projeto Unity que pode ser aberto no editor e compilado para Windows, incluindo cenas, scripts e recursos necessários ao funcionamento do jogo.

De acordo com a documentação, o uDPR consegue inicializar, executar partidas e salvar o progresso. Entretanto, permanece em fase beta, e grandes partes da campanha ainda não passaram por testes completos no PC.

Um detalhe destacado pelos desenvolvedores é a utilização de ferramentas de inteligência artificial durante a reconstrução. O repositório informa que grande parte do trabalho foi realizada com Claude, por meio do Claude Code, com direcionamento, testes e revisão humana.

Isso não significa que o jogo tenha sido criado do zero por inteligência artificial. O projeto utiliza informações recuperadas do software original e depende dos arquivos pertencentes ao jogo comercial.

Pokémon Brilliant Diamond ganha novas opções gráficas e controles

O uDPR inclui um conjunto de opções desenvolvido especificamente para computadores, oferecendo recursos que não estavam presentes na versão original do Nintendo Switch.

Entre eles estão seleção de resolução, modo janela, tela cheia, sincronização vertical, controles configuráveis e opções de taxa de quadros por segundo.

O projeto permite selecionar limites de 30, 60, 120 e até 240 FPS, além de uma opção sem limite definido. Porém, a existência dessas configurações não significa que todas essas taxas tenham desempenho estável em qualquer computador.

Outro recurso interessante é o avanço acelerado, que permite aumentar a velocidade da execução em valores entre 2x e 8x. Segundo a documentação, atividades como concursos, preparação de Poffins e reprodução de vídeos continuam utilizando velocidades normais em determinadas situações.

O uDPR também oferece suporte a teclado e controles XInput, incluindo dispositivos compatíveis com o padrão utilizado pelos controles de Xbox.

Para funcionar, o projeto exige Pokémon Brilliant Diamond atualizado para a versão 1.3.0. O suporte a Shining Pearl ainda não está disponível na implementação documentada.

Como baixar os projetos e quais são as limitações

Os dois projetos estão disponíveis publicamente no GitHub, mas apresentam diferenças importantes em seus processos de instalação.

O Let's Go Recomp oferece um launcher para Windows 10 e Windows 11 de 64 bits. O usuário precisa fornecer os diretórios extraídos do próprio jogo, enquanto o programa realiza a recompilação necessária.

Entre os requisitos estão um processador com AVX2, FMA e BMI2 e uma placa de vídeo com suporte a Vulkan 1.3. Os testes oficiais ainda estão concentrados em uma quantidade limitada de configurações de hardware.

Já o uDPR exige um procedimento mais complexo, envolvendo Unity 2019.4.27f1, componentes de áudio Wwise e ferramentas adicionais para reconstrução dos arquivos. A documentação recomenda 32 GB de RAM e aproximadamente 60 GB de espaço livre durante a preparação.

Ambos os projetos exigem arquivos provenientes de cópias legítimas dos respectivos jogos. Os repositórios não incluem modelos, texturas, músicas e outros conteúdos comerciais necessários à execução.

Também existem limitações importantes de compatibilidade. O Let's Go Recomp ainda não oferece funcionalidades como trocas online, integração com Pokémon GO e multiplayer cooperativo. O uDPR, por sua vez, precisa de testes adicionais ao longo da campanha e permanece restrito à versão documentada de Brilliant Diamond.

A chegada dessas iniciativas reforça o crescimento de projetos independentes voltados à execução nativa de jogos originalmente desenvolvidos para consoles. Embora ainda estejam longe de substituir integralmente as versões oficiais, o Let's Go Recomp e o uDPR demonstram como diferentes técnicas de engenharia reversa podem ampliar as possibilidades de execução, modificação e estudo desses títulos em computadores modernos.

Para os fãs de Pokémon, os avanços representam novas possibilidades de revisitar aventuras conhecidas com melhorias gráficas e controles adaptados. O desenvolvimento continua aberto, e a evolução dos dois projetos dependerá de novas correções, testes e contribuições da comunidade.

Fonte oficial: raulzrrs — Let's Go Recomp: repositório oficial e documentação.

Fonte original: Manurocker95 — uDPR: projeto original de reconstrução de Pokémon Brilliant Diamond.

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