Não acho que seja um jogo perfeito — longe disso — e encontrei uma quantidade considerável de bugs, recursos que poderiam ser melhores e problemas que continuam afetando uma franquia com 38 anos de história.
Ainda assim, Madden NFL 27 conseguiu me dar aquela sensação de “só mais 10 minutos” ou “só mais uma partida” que procuro quando estou escolhendo o que jogar. O gameplay em campo é, para mim, o mais divertido que encontrei em um jogo de futebol americano da EA Sports desde o final dos anos 2000.
Minha experiência, porém, é principalmente com os modos offline. A única experiência online que costumo jogar é uma Franchise com alguns amigos. Também não vou entrar em Ultimate Team, porque nunca fui fã dos modos baseados em cartas e, quando entro neles ocasionalmente, normalmente não passo mais de algumas horas.
Madden NFL 27 finalmente me fez gostar novamente do gameplay
Como jogador predominantemente offline, é principalmente em Franchise e Superstar que encontrei a maior parte da diversão. Mas antes de falar dos modos, preciso destacar o que mais me surpreendeu: jogar dentro de campo.
Para mim, Madden NFL 27 é o jogo de futebol americano da EA Sports mais divertido desde o final dos anos 2000. É também a primeira vez que gosto tanto de um Madden desde que a franquia passou a utilizar a Frostbite, há quase uma década.
A introdução do sistema de Placement & Accuracy para os passes, alguns anos atrás, já havia feito o jogo de quarterback deixar de ser simplesmente apertar um botão e esperar pelo resultado. Agora, o novo sistema de recepção baseado em tempo faz algo parecido com os jogadores que precisam agarrar a bola.
Não dependo mais apenas da sorte relacionada ao momento em que aperto o botão para fazer uma recepção manual. Existe agora um elemento de timing, e considero isso uma excelente adição à experiência.
Demorei algumas partidas para me acostumar com essa exigência adicional. No começo, precisei pensar bastante no momento correto para realizar as recepções. Depois que o sistema finalmente clicou para mim, porém, percebi o quanto ele acrescenta ao gameplay.
É uma mudança que, na minha opinião, funciona muito bem e torna as jogadas ofensivas mais interessantes.
Superstar é onde mais consegui criar minha própria história
No Superstar, gosto justamente de poder me preocupar apenas com um jogador. Não preciso administrar teto salarial, escalação ou qualquer outra coisa. Posso simplesmente jogar do meu jeito enquanto desenvolvo uma personalidade para o meu atleta.
Essa é uma das partes em que mais me divirto.
Posso decidir se meu jogador será humilde ou um completo idiota, e observar como essas escolhas afetam a maneira como os outros personagens se relacionam comigo é divertido. Ver a relação com meus companheiros e com o treinador desmoronar porque decidi atacar a imprensa — algo especialmente irônico — ou provocar outras pessoas da minha conferência é algo que continua me entretendo.
O problema é que eu queria consequências maiores para minhas escolhas.
Elas existem atualmente, mas ainda não são suficientes em nenhuma das duas extremidades. Falta aquela sensação de que uma única decisão pode realmente mudar tudo o que acontece com meu personagem.
Também gostei da maneira como preciso conquistar gradualmente mais opções de jogadas, possibilidade de chamar audibles e capacidade de influenciar as decisões da equipe.
Nunca gostei da ideia de ser selecionado no Draft e imediatamente receber controle total de tudo quando estou em campo. O que Madden NFL 27 oferece agora me parece um meio-termo bastante satisfatório.
Existe ainda algo que continua me incomodando: gostaria de poder transferir meu jogador criado em College Football para Madden entre plataformas, como PC para PS5 ou vice-versa. Entendo, porém, que o sistema depende do arquivo de save e não funciona de maneira verdadeiramente baseada na nuvem.
Também existem microtransações que permitem acelerar o desenvolvimento do jogador. Particularmente, não vejo isso como um problema tão grande porque não é necessário gastar dinheiro para progredir. Para mim, portanto, acaba sendo algo que posso simplesmente ignorar.
Franchise ganhou vida com o Persona Engine
É em Franchise Mode que encontro o nível de controle que espero de Madden. Grande parte do modo é familiar para quem já conhece a série, mas o Persona Engine é, pelo menos até agora, uma adição fantástica.
Acompanhar como a personalidade dos jogadores muda ao longo das semanas e dos meses adiciona uma camada de interesse a um modo que muitas vezes consegue perder sua graça rapidamente.
Comecei a ver rumores circulando sobre Justin Jefferson querendo deixar Minnesota ou até Josh Allen procurando um novo começo, e isso trouxe uma sensação de cobertura esportiva real para dentro do meu universo digital.
Em minha Franchise com os Bills, por exemplo, selecionei um wide receiver na segunda rodada do Draft durante minha terceira temporada. Quatro anos depois, chegou a hora de negociar seu segundo contrato.
O jogador tinha uma média de apenas 600 jardas e cinco touchdowns por temporada, mas de repente passou a acreditar que deveria receber um salário de jogador número 1.
A negociação foi extremamente frustrante e acabou terminando com uma troca antes do fechamento da janela.
E, sinceramente, não acho que essa situação teria acontecido sem o Persona Engine.
Ainda não sei se essa sensação continuará interessante daqui a quatro ou cinco meses, mas neste momento o sistema acrescentou ao Franchise uma personalidade que estava faltando.
Outra novidade que gostei bastante foi a presença do Coach Mode em todo o jogo.
Administrar meu elenco e minha comissão técnica e depois observar tudo se desenrolar dentro de campo me trouxe de volta aquela sensação dos antigos jogos NFL Head Coach.
Eu não sabia o quanto sentia falta desse tipo de experiência até começar a utilizar o recurso neste ano.
Os problemas de Superstar ainda são numerosos
Apesar de toda a diversão que encontrei, Madden NFL 27 apresenta problemas claros. E não estou falando apenas de pequenos detalhes: mesmo depois da primeira grande atualização do jogo, existem questões que continuam prejudicando a experiência.
Bloqueio de passe
Mesmo utilizando jogadores da linha ofensiva com atributos na casa dos 80 altos e 90 baixos, sinto que o bloqueio de passe é insuficiente.
Raramente tenho tempo suficiente para que determinadas rotas consigam realmente se desenvolver antes que a pressão chegue.
Bugs no No Huddle
Aqui encontrei vários problemas diferentes.
Quando tento utilizar No Huddle sem tempos para pedir durante o fim de uma metade, o jogo pode ficar completamente impossibilitado de continuar até que eu aceite uma penalidade ou o relógio termine.
Pausar e voltar ao jogo não resolve o problema.
Em outras situações, quando chamo um No Huddle, meu quarterback simplesmente aparece alinhado onde deveria estar o running back e precisa se reposicionar antes que eu possa fazer o snap.
Também encontrei situações em que, depois de selecionar a jogada do No Huddle, o desenho da jogada aparece incompleto ou os jogadores ficam posicionados nos lugares errados.
E existe um problema ainda mais estranho: às vezes o jogo simplesmente não reconhece a jogada que selecionei e me coloca em uma corrida de quarterback. Eu só descubro que estou nessa jogada quando faço o snap.
Sphere of Influence
Mesmo depois de desbloquear diferentes níveis de Sphere of Influence, alguns dos benefícios não ficam disponíveis.
Um exemplo é desbloquear Media Level 3 e, mesmo assim, continuar recebendo a mensagem de que preciso alcançar aquele nível para ter determinadas respostas disponíveis.
Detalhes do contrato
Também não encontrei uma maneira adequada de visualizar os detalhes do meu próprio contrato.
Não preciso necessariamente saber todas as informações contratuais de todos os jogadores do elenco, mas poder consultar em que ponto estou no meu próprio acordo seria uma melhoria de qualidade de vida bastante útil.
Playcalling repetitivo
Existe ainda uma espécie de obsessão do jogo por chamar play-action passes, independentemente da equipe que estou utilizando.
Além disso, a seleção de jogadas pode ficar bastante repetitiva. Em alguns momentos, tenho pouca variação de uma campanha para outra e até de uma partida para outra.
Números duplicados
O jogo também não parece se importar com números aposentados ou números que já estão sendo utilizados por outros jogadores.
Por isso, é possível encontrar vários atletas usando o mesmo número ao longo da experiência.
Franchise também tem problemas importantes
Os problemas não ficam restritos ao Superstar. No Franchise, também encontrei situações que prejudicam bastante o realismo.
Inteligência artificial e teto salarial
Mesmo depois de um mês, as equipes controladas pela IA continuam tendo problemas sérios para administrar o Salary Cap.
Algumas equipes simplesmente destroem o próprio teto salarial através de contratações, reestruturações repetidas e outras decisões financeiras questionáveis.
Lógica dos agentes livres
A lógica dos contratos também pode produzir situações completamente sem sentido.
Já vi jogadores assinarem contratos de um ano por US$ 5 milhões depois de receberem propostas de outras equipes na faixa de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.
Também existem situações em que uma equipe já possui um quarterback definido como seu jogador de franquia — como Caleb Williams em Chicago — e, apenas um ou dois anos depois do início da Franchise, decide selecionar ou contratar outro quarterback de franquia.
Essas decisões acabam prejudicando bastante a sensação de estar administrando uma liga real.
Scouting e Draft
Sei que mudanças estão sendo preparadas para essa parte da experiência e que, provavelmente, veremos uma reformulação maior em Madden NFL 28.
Mas isso não muda o fato de que, em Madden NFL 27, scouting e Draft continuam decepcionantes.
Eu ainda não consigo sequer visualizar adequadamente minha classe de Draft enquanto o próprio Draft está acontecendo. Preciso anotar as informações em outro lugar para conseguir acompanhar os jogadores que me interessam.
Mesmo quando utilizo a opção de “best fits”, existe outro problema: se um jogador atende a uma necessidade de determinada posição, as mesmas equipes acabam aparecendo como “melhores opções” independentemente do estilo de jogo que estou utilizando.
Números aposentados
E existe novamente o problema dos números aposentados.
O jogo não reconhece adequadamente os números que foram aposentados pelas franquias.
Para mim, foi especialmente estranho ver um novato vestindo a camisa 78 dos Bills, algo que simplesmente não deveria acontecer.
Veredito: Madden NFL 27 é um bom jogo de futebol americano
Vou terminar da mesma maneira que comecei: eu realmente gostei de Madden NFL 27.
Gosto muito do gameplay em campo, gosto da profundidade do Franchise Mode e acho que o Persona Engine, ao dar uma personalidade aos jogadores, acrescenta uma camada interessante à experiência.
Também me divirto bastante com Superstar quando não levo tudo tão a sério e tento criar minha própria história a partir do que está acontecendo no jogo.
É claro que existem várias coisas que eu gostaria de ver modificadas e muitos problemas que espero que sejam corrigidos em futuras atualizações. Mas, olhando para o que está no jogo atualmente, a base é divertida.
Existe uma ideia de que Madden precisa se aproximar cada vez mais de uma experiência puramente de simulação. Particularmente, não acho que isso seja necessário. Na minha opinião, levar o jogo demais nessa direção poderia acabar prejudicando a experiência mais do que ajudando.
Essa é apenas a minha opinião, obviamente.
No geral, Madden NFL 27 entrega uma experiência de futebol americano divertida e, para mim, apresenta o melhor gameplay em campo que a franquia oferece em mais de uma década. Os principais modos têm seus acertos e erros, mas é difícil negar que Madden NFL 27 é um bom jogo de futebol americano em 2026.
O maior pedido que fica, porém, é simples: será que podemos parar de empurrar compras adicionais toda vez que abrimos o jogo?