EA Sports College Football pode ser cancelado nos próximos cinco anos, aponta reportagem
Mesmo após retornar com enorme sucesso em 2024, EA Sports College Football pode enfrentar um futuro incerto. Uma reportagem do Insider Gaming revela que integrantes ligados à produção estão preocupados com o aumento dos custos de desenvolvimento, a valorização dos direitos de imagem dos atletas universitários e a queda gradual nas vendas da franquia. O cenário poderia ameaçar a continuidade da série até o fim da década.

O retorno de EA Sports College Football 25 foi considerado um dos grandes acontecimentos dos jogos esportivos em 2024. Depois de mais de uma década sem novos lançamentos, a Electronic Arts conseguiu recuperar uma franquia que havia deixado de existir após NCAA Football 14, de 2013.
Entretanto, pouco mais de dois anos depois, a situação pode não ser tão tranquila quanto parecia.
Em reportagem publicada em 13 de outubro de 2026, o jornalista Mike Straw, do Insider Gaming, revelou que diversas fontes próximas à produção demonstraram preocupação com a sustentabilidade financeira da franquia.
Segundo essas fontes, embora novos jogos estejam previstos para os próximos anos, existe o receio de que a Electronic Arts abandone a série dentro de aproximadamente cinco anos caso os custos continuem aumentando e as receitas não acompanhem esse crescimento.
A informação foi repercutida na comunidade GamingLeaksAndRumours, no Reddit, onde provocou discussões sobre o futuro da franquia e as estratégias comerciais da EA.
É importante destacar que não existe um cancelamento anunciado, nem confirmação de que a Electronic Arts planeje encerrar a série. O relato reflete preocupações de pessoas relacionadas ao projeto, e outras fontes consultadas pelo veículo discordam dessa avaliação.
Aumento dos custos de licenciamento preocupa os responsáveis pela franquia
Um dos principais problemas apontados pela reportagem é o crescimento dos valores necessários para utilizar a identidade dos atletas universitários americanos dentro dos jogos.
Esse sistema é conhecido como NIL, sigla de Name, Image and Likeness, expressão utilizada nos Estados Unidos para descrever os direitos relacionados ao nome, à imagem e à identidade comercial de atletas.
Diferentemente dos antigos títulos NCAA Football, os jogos modernos da Electronic Arts contam com milhares de jogadores universitários reais, representados por meio de contratos de licenciamento.
Em EA Sports College Football 25, cada atleta que autorizou sua participação recebeu aproximadamente US$ 600.
Considerando um elenco com mais de 11 mil participantes, os pagamentos representaram um custo estimado entre US$ 7 milhões e US$ 7,5 milhões.
Com EA Sports College Football 27, a compensação teria aumentado para US$ 1.500 por atleta, elevando o investimento total para um valor próximo de US$ 20 milhões apenas com direitos individuais.

O crescimento é expressivo, especialmente porque esses pagamentos representam apenas uma parcela dos custos totais da produção.
A EA também precisa negociar licenças envolvendo universidades, competições, estádios e outras propriedades, além de manter equipes de desenvolvimento, infraestrutura online e campanhas de marketing.
Segundo o Insider Gaming, há preocupação de que os gastos com NIL possam continuar subindo nos próximos anos, pressionando ainda mais a rentabilidade do projeto.
Vendas continuam fortes, mas perderam força após o retorno de 2024
A situação chama atenção porque o primeiro jogo da nova fase foi um enorme sucesso comercial.
EA Sports College Football 25 terminou 2024 como o segundo jogo mais vendido dos Estados Unidos, atrás apenas de Call of Duty: Black Ops 6.
O título também estabeleceu um recorde de faturamento para jogos esportivos no mercado americano, considerando as receitas obtidas com suas vendas.
O desempenho demonstrou a existência de uma demanda reprimida após 11 anos sem novos jogos da franquia.
Entretanto, as edições posteriores não conseguiram repetir exatamente o mesmo impulso comercial.
College Football 26 permaneceu entre os jogos mais vendidos de 2025, encerrando aquele ano na sétima colocação. Já College Football 27 apresentou uma permanência mais curta entre os dez títulos mais vendidos dos Estados Unidos.
Segundo o Insider Gaming, a edição de 2026 apareceu na segunda posição em julho, mas deixou o top 10 no mês seguinte, quando considerada individualmente.
Isso não significa necessariamente que o jogo tenha apresentado prejuízo financeiro. A Electronic Arts continua registrando vendas expressivas, mas a redução do ritmo de comercialização gera dúvidas sobre a capacidade de sustentar custos cada vez maiores.
Outro aspecto que dificulta a análise é a comercialização de pacotes combinando College Football 27 com Madden NFL 27, já que essas ofertas podem deslocar parte das vendas para categorias diferentes dos rankings individuais.
Microtransações podem voltar aos modos Dynasty e Road to Glory
Outra questão destacada pela reportagem envolve a estratégia de monetização da EA.
College Football 27 recebeu críticas da comunidade após a introdução de opções de compras adicionais em modos tradicionalmente associados à progressão individual, como Dynasty e Road to Glory.
Os jogadores questionaram alterações que pareciam incentivar o gasto de dinheiro para acelerar ou modificar determinados aspectos da experiência.
Após a repercussão negativa, a Electronic Arts recuou e retirou as opções contestadas.
Entretanto, fontes ouvidas pelo Insider Gaming afirmam que a empresa continua estudando maneiras de voltar a monetizar esses modos nas próximas edições.
A reportagem aponta que o Ultimate Team, embora ainda gere receitas significativas, estaria rendendo menos do que o esperado internamente para compensar o crescimento dos custos.
Isso teria incentivado discussões sobre novas oportunidades comerciais dentro das modalidades de jogo.
O risco é que um aumento excessivo das microtransações provoque uma reação negativa da comunidade, especialmente entre os jogadores que preferem experiências offline ou focadas na administração de equipes.
Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre quais sistemas poderiam retornar, seus preços ou a forma como seriam implementados em futuras edições.
Nem todos dentro do projeto acreditam que a franquia esteja ameaçada
Apesar do tom preocupante da reportagem, a situação não é apresentada de maneira unânime.
Mike Straw afirma ter conversado com diferentes pessoas ligadas à produção, incluindo fontes que ocupam posições de maior responsabilidade.
Parte delas demonstrou receio de que a Electronic Arts concentre seus investimentos em franquias consideradas mais rentáveis, como EA Sports FC e Madden NFL.
Entretanto, outras fontes consideram essa possibilidade exagerada.
Segundo esses relatos, a empresa reconhece o valor comercial de College Football e não teria motivos imediatos para abandonar uma série que continua apresentando resultados importantes no mercado americano.
Esse contraponto é essencial para compreender o cenário.
Embora os custos estejam aumentando e o entusiasmo inicial tenha diminuído, a franquia não deixou de ser comercialmente relevante.
A Electronic Arts não respondeu aos pedidos de comentário feitos pelo Insider Gaming antes da publicação da reportagem.
College Football 27 também marcou a estreia oficial da franquia no PC
Enquanto surgem dúvidas sobre seu futuro, a série viveu uma expansão importante em 2026.
EA Sports College Football 27 chegou oficialmente em 9 de julho de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e, pela primeira vez na fase moderna da franquia, PC.
A versão para computadores foi disponibilizada pela EA app, Steam e Epic Games Store, com opções específicas para personalização gráfica, suporte a monitores ultrawide, HDR e recursos avançados de iluminação.
A estreia no PC representa uma oportunidade para alcançar novos consumidores, embora ainda não existam informações públicas suficientes para determinar quanto essa expansão acrescentou às receitas da franquia.
O lançamento também trouxe atualizações para Dynasty e Road to Glory, além de mudanças relacionadas ao sistema NIL, contratação de atletas e administração de equipes.
Essas novidades indicam que a Electronic Arts continua investindo no desenvolvimento da marca, mesmo diante dos desafios apontados pelas fontes.
O fim de EA Sports College Football é realmente possível?
A interrupção de uma franquia esportiva anual não seria algo inédito na indústria. A própria série NCAA Football deixou de receber novos lançamentos após 2013, em um cenário marcado por disputas envolvendo direitos de imagem de atletas universitários.
O retorno em 2024 foi possível graças a mudanças no ambiente de licenciamento e novos acordos comerciais.
Agora, o desafio é diferente: manter financeiramente viável uma produção anual que depende de milhares de atletas, dezenas de instituições e investimentos elevados em desenvolvimento e marketing.
Uma eventual redução de custos, mudanças nos contratos ou reformulação do calendário de lançamentos poderiam representar alternativas ao encerramento da série. Entretanto, essas são possibilidades de análise, não planos anunciados pela EA.
Por enquanto, não existem evidências de que a companhia tenha aprovado internamente o cancelamento de College Football.
Conclusão
O futuro de EA Sports College Football está sendo questionado justamente quando a franquia completa pouco mais de dois anos desde seu retorno bem-sucedido.
A reportagem do Insider Gaming apresenta preocupações relevantes: pagamentos crescentes a atletas universitários, custos elevados de licenciamento, queda gradual no ritmo de vendas e discussões sobre novas formas de monetização.
Entretanto, o cenário ainda está longe de representar uma sentença definitiva para a série.
College Football continua sendo uma marca comercialmente importante, e sua expansão para computadores em 2026 demonstra que a Electronic Arts ainda busca ampliar o público.
O principal desafio será encontrar um equilíbrio entre os custos de produção, as expectativas financeiras e a satisfação dos jogadores.
Até que exista um posicionamento oficial, qualquer possibilidade de cancelamento deve ser tratada como uma preocupação interna relatada por fontes anônimas, e não como uma decisão tomada pela EA.
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