Bloodborne já roda no PC sem emulação de CPU com projeto bbport; RX 580 aparece executando o jogo
Um novo projeto comunitário chamado bbport consegue executar o código original de Bloodborne para PS4 diretamente em PCs Linux x86-64, sem emular a CPU do console. Uma demonstração recente mostra o jogo rodando em um modesto Core i5-9400, Radeon RX 580 e 16 GB de RAM, embora o projeto ainda seja experimental e uma campanha completa não tenha sido validada.

Depois de anos acompanhando a evolução do shadPS4, a comunidade de Bloodborne acaba de apresentar uma abordagem bastante diferente para levar o exclusivo do PlayStation 4 ao PC.
O projeto bbport, disponível publicamente no GitHub, foi desenvolvido especificamente para executar Bloodborne CUSA03173 na versão 1.09 em computadores Linux x86-64. Em vez de funcionar como um emulador geral de PlayStation 4, ele aproveita um detalhe importante da arquitetura do console da Sony: assim como os PCs modernos, o PS4 utiliza processadores x86-64.
Na prática, o código de CPU original do jogo é executado diretamente pelo processador do computador, sem tradução instrução por instrução. Já funções específicas do sistema operacional do PS4 são substituídas por um pequeno runtime criado especificamente para Bloodborne.
Uma demonstração publicada pela comunidade chamou atenção porque mostra o projeto funcionando em um PC equipado com Intel Core i5-9400, Radeon RX 580 e 16 GB de RAM, hardware bastante mais antigo do que normalmente associamos às demonstrações modernas de Bloodborne no PC.
Afinal, Bloodborne está rodando “nativamente”?
A resposta exige uma pequena explicação.
Na parte da CPU, sim: o código x86-64 original de Bloodborne é executado diretamente pelo computador, sem uma camada responsável por emular o processador Jaguar do PS4. O bbport converte previamente o eboot para uma imagem de memória e liga bibliotecas necessárias antes de iniciar o jogo.
Isso o diferencia bastante de um emulador tradicional.
Entretanto, chamar todo o projeto simplesmente de “port nativo” pode passar uma impressão incompleta.
A parte gráfica ainda precisa lidar com comandos originalmente criados para a GPU e APIs do PlayStation 4. Para isso, o bbport utiliza um renderer baseado no núcleo gráfico e no recompilador de shaders do shadPS4, porém bastante modificado e otimizado especificamente para Bloodborne. Os comandos gráficos são convertidos para Vulkan no PC.
O próprio projeto deixa essa relação clara: sem o trabalho realizado pelo shadPS4, o bbport não existiria em sua forma atual.
Portanto, a descrição mais precisa seria: Bloodborne executando seu código de CPU nativamente em x86-64 através de um runtime específico, enquanto a parte gráfica é traduzida para Vulkan.
Não é um emulador geral de PS4, mas também não é um port oficial recompilado pela FromSoftware.
Projeto foi criado exclusivamente para Bloodborne
Essa especialização é justamente uma das maiores diferenças em relação ao shadPS4.
O shadPS4 precisa criar uma camada ampla capaz de lidar com vários jogos e diferentes chamadas do sistema operacional do console. Já o bbport implementa somente aquilo que Bloodborne realmente utiliza.
Seu runtime possui cerca de cinco mil linhas relacionadas a componentes como:
- memória;
- threads;
- sincronização;
- leitura de arquivos;
- áudio;
- controles;
- saves;
- conteúdo adicional.
Isso permite remover muita complexidade necessária em um emulador genérico.
O projeto também divide a decodificação dos comandos gráficos e a gravação das chamadas Vulkan entre threads separadas, tentando eliminar alguns dos gargalos encontrados ao executar Bloodborne através do shadPS4.
RX 580 e i5-9400 aparecem executando Bloodborne
Talvez a parte que mais tenha chamado atenção da comunidade seja justamente a configuração utilizada em uma das demonstrações.
O usuário publicou o teste utilizando:
Intel Core i5-9400
AMD Radeon RX 580
16 GB de RAM
Linux
O vídeo apresenta alguns pequenos engasgos, algo que o próprio usuário reconhece. Ele também observa que ainda poderia ajustar configurações de FSR para melhorar o comportamento.
Por isso, não seria correto transformar essa demonstração em uma afirmação de que Bloodborne agora roda perfeitamente a 60 FPS em qualquer RX 580.
Trata-se de uma configuração específica, com determinados ajustes e em um projeto ainda em forte desenvolvimento.
Mesmo assim, o teste é significativo porque mostra que o método pode funcionar em hardware que já tem vários anos de mercado.
Desenvolvedor já conseguiu taxas muito superiores em uma RX 7800 XT
No hardware utilizado pelo principal desenvolvedor, os números são consideravelmente maiores.
Segundo a documentação oficial, uma Radeon RX 7800 XT conseguiu aproximadamente:
- 90 FPS em 4K, utilizando FSR 4 no modo Balanced;
- cerca de 150 FPS em 1440p, utilizando FSR 4 Quality.
O projeto também oferece modos de 30, 60 e 90 FPS.
Mais uma vez, esses resultados não devem ser interpretados como benchmarks universais.
A própria documentação alerta que até agora somente uma máquina — equipada com RX 7800 XT e Mesa/RADV — foi testada extensivamente pelo responsável pelo projeto.
Portanto, o desempenho em NVIDIA, Intel ou outras gerações de Radeon ainda precisa de muito mais validação.

FSR 3.1, FSR 4 e até FSR 4.1.1 fazem parte do projeto
O bbport também está indo muito além de simplesmente fazer o jogo inicializar.
O desenvolvedor implementou suporte a FSR 3.1, FSR 4 e FSR 4.1.1, criando inclusive informações necessárias para reconstrução temporal que Bloodborne originalmente não fornecia.
O jogo não possui um buffer de vetores de movimento adequado às técnicas modernas de upscaling temporal.
Para contornar isso, o bbport calcula esses vetores por conta própria, utilizando profundidade, matrizes da câmera e posições dos objetos em frames anteriores.
Personagens, roupas, armas e outros elementos móveis recebem seus próprios vetores antes que o upscaler gere a imagem final.
A interface do jogo também é desenhada diretamente na resolução de saída, evitando que menus e elementos de HUD fiquem borrados pelo upscaling.
É um nível de modificação bastante profundo para um projeto que começou simplesmente tentando fazer o executável original funcionar fora do PS4.
GTX 1060 também já conseguiu inicializar o projeto
Embora GPUs AMD sejam atualmente o foco principal dos testes, já existem relatos envolvendo placas NVIDIA.
Um usuário conseguiu iniciar Bloodborne utilizando uma GeForce GTX 1060 de 6 GB, Fedora 44 e drivers NVIDIA 580.178.04. Nesse caso, FSR 3 funcionou, enquanto tentar ativar FSR 4 resultou em uma janela preta.
A limitação faz sentido porque determinadas versões do FSR 4 exigem recursos específicos de Vulkan.
Quando a GPU não oferece os recursos necessários, o bbport pode automaticamente retornar ao FSR 3.1.
Steam Deck também está nos planos
Outra característica interessante é que o projeto já possui suporte para criação de AppImage voltada ao Steam Deck.
A resolução indicada no portátil é 1280×720, com pequenas barras devido ao formato 16:9 original de Bloodborne.
O desenvolvedor ainda lista a validação completa no Steam Deck entre os trabalhos pendentes, portanto não significa que a experiência no portátil já esteja totalmente pronta.
Mas tecnicamente o bbport já possui uma estrutura específica para ele.
Ainda não sabemos se Bloodborne pode ser terminado do começo ao fim
Essa é provavelmente a ressalva mais importante de toda a notícia.
O próprio GitHub classifica o projeto atualmente como:
“experimental, playable”.
O jogo inicializa, carrega saves, possui áudio, controles e salvamento funcional. O desenvolvedor já percorreu o Hunter's Dream e diversas regiões de Yharnam.
No entanto, uma campanha completa ainda não foi validada.
Portanto, não é correto afirmar que o bbport já executa Bloodborne perfeitamente do início ao fim, todas as áreas, chefes, Chalice Dungeons e The Old Hunters sem problemas.
Esse processo de validação provavelmente será uma das próximas etapas importantes do projeto.
É necessário possuir os arquivos originais do jogo
O repositório não distribui Bloodborne.
Para utilizar o bbport, o usuário precisa fornecer seu próprio dump descriptografado da versão CUSA03173 1.09, incluindo eboot.bin, módulos e demais arquivos necessários.
O projeto também deixa claro que não possui qualquer vínculo com Sony Interactive Entertainment, FromSoftware ou AMD.
Isso significa que baixar apenas o bbport não fornece o jogo.

shadPS4 continua tendo uma vantagem importante
O surgimento do bbport não significa que shadPS4 se tornou inútil.
São projetos com objetivos diferentes.
O shadPS4 busca executar diversos jogos de PlayStation 4. Já o bbport pode aplicar otimizações extremamente específicas porque só precisa funcionar com uma versão específica de Bloodborne.
Isso permite reduzir a quantidade de chamadas do sistema que precisam ser implementadas e modificar diretamente partes do pipeline gráfico de acordo com as necessidades do jogo.
Por outro lado, toda essa especialização significa que o bbport não poderá simplesmente abrir outro jogo de PS4.
Bloodborne no PC avança mesmo sem um port oficial da Sony
Bloodborne continua oficialmente disponível apenas dentro do ecossistema PlayStation. A página oficial da PlayStation Store ainda lista o título como jogo de PS4, sem uma edição nativa para PC anunciada pela Sony.
Enquanto isso, a comunidade segue criando suas próprias soluções.
Primeiro, o shadPS4 avançou rapidamente até transformar Bloodborne em um dos maiores exemplos do potencial da emulação moderna do PS4.
Agora, o bbport está tentando outra abordagem: eliminar completamente a emulação da CPU e criar um runtime feito exclusivamente para executar o jogo diretamente em Linux x86-64.
Ainda existem bugs, hardware pouco testado e nenhuma confirmação de que toda a campanha possa ser concluída.
Mesmo assim, ver Bloodborne funcionando dessa maneira em um Core i5-9400 e Radeon RX 580 é mais um passo impressionante para um jogo que, onze anos depois do lançamento, continua sem um port oficial para computadores.
Fonte oficial do projeto: deadinside28 / GitHub
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