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Funcionários da EA temem novas demissões e possível venda de franquias como Battlefield, Dragon Age e Titanfall

Funcionários e ex-funcionários da Electronic Arts relatam um ambiente de incerteza, queda na moral das equipes e falta de transparência após uma série de demissões e mudanças internas. Segundo uma investigação do site Vertical Slice, existe também o receio de que a empresa venda algumas de suas franquias mais conhecidas para lidar com sua situação financeira.

Por Sebastian Castellanos | 30 out de 2026 às 00:42 | ⏱️ 8 min de leitura

A Electronic Arts (EA), uma das maiores publicadoras de videogames do mundo, enfrenta um período de turbulência interna. Relatos de funcionários ouvidos pelo jornalista Chris Kerr, do Vertical Slice, descrevem uma empresa marcada por insegurança profissional, comunicação deficiente e preocupação com o futuro de diferentes estúdios.

A situação ganhou força após uma nova rodada de cortes que atingiu aproximadamente 400 trabalhadores e culminou no encerramento da BioWare. Agora, além do medo de novas demissões, profissionais da companhia também demonstram preocupação com a possibilidade de propriedades intelectuais importantes serem vendidas para outros grupos.

Demissões na EA provocam insegurança entre funcionários

Segundo a investigação publicada em 27 de outubro de 2026 pelo Vertical Slice, trabalhadores atuais e antigos da Electronic Arts relataram dificuldades para entender como a reestruturação está acontecendo. Um dos principais problemas apontados é a falta de transparência sobre quais profissionais foram desligados e como os projetos continuarão após a redução das equipes.

Em alguns casos, funcionários afirmam que descobriram a saída de colegas por publicações no LinkedIn, em vez de receberem informações diretamente da administração. A situação teria criado um ambiente de desconfiança, especialmente porque as equipes precisam identificar quem continua trabalhando em cada projeto e redistribuir responsabilidades.

O processo de comunicação das demissões também foi criticado. Segundo os depoimentos, alguns profissionais receberam convites para reuniões pelo Zoom, com o chat desativado e os demais participantes ocultos. Nessas chamadas, foram informados sobre o desligamento sem uma oportunidade adequada para fazer perguntas ou se despedir dos colegas.

BioWare fechada e outros estúdios também são afetados

A reestruturação da EA não ficou restrita à BioWare. De acordo com os relatos, aproximadamente 400 funcionários perderam seus empregos durante a rodada de cortes. Entre os estúdios atingidos está a Full Circle, responsável pelo desenvolvimento de skate., que teria perdido entre 30% e 40% de uma equipe formada por mais de 100 profissionais.

A Maxis também foi afetada, com o cancelamento de um projeto relacionado à franquia The Sims. Essas mudanças aumentaram as preocupações sobre o espaço que produções originais terão dentro da estratégia da publicadora, especialmente diante da prioridade dada a propriedades capazes de gerar receitas recorrentes.

A BioWare, por sua vez, representa uma das perdas mais significativas dessa reestruturação. O estúdio ficou conhecido por séries como Mass Effect e Dragon Age, mas enfrentou dificuldades relacionadas a mudanças de direção durante o desenvolvimento de seus projetos. Segundo funcionários ouvidos pela reportagem, decisões administrativas e tentativas de incorporar elementos multiplayer e de jogos como serviço prejudicaram o trabalho da equipe.

Inteligência artificial também preocupa desenvolvedores

Outro ponto destacado pela investigação é o incentivo ao uso de inteligência artificial generativa dentro da Electronic Arts. Segundo os funcionários entrevistados, ferramentas como Claude estão sendo promovidas pela administração como parte do futuro da produção de jogos.

Embora a utilização dessas tecnologias ainda não tenha sido apresentada como obrigatória, alguns trabalhadores demonstram preocupação com a possibilidade de a empresa utilizar ferramentas de IA para manter a produtividade com equipes cada vez menores.

Uma das fontes afirmou que a orientação recebida era produzir menos, mas com mais qualidade. Entretanto, na prática, a percepção dos funcionários é que continuam recebendo praticamente a mesma quantidade de trabalho, mesmo depois da redução das equipes.

O problema pode ter consequências importantes para o desenvolvimento de grandes produções. Jogos AAA exigem profissionais especializados em diferentes áreas, e a redução de pessoal pode aumentar a pressão sobre os trabalhadores que permanecem nos projetos.

Battlefield, Dragon Age e Titanfall podem ser vendidos?

Uma das preocupações mais relevantes levantadas pelos relatos envolve o futuro das propriedades intelectuais da EA. Com a mudança de controle da companhia e a pressão por resultados financeiros, existe o receio de que algumas franquias sejam negociadas separadamente.

Entre os nomes mencionados estão:

Mass Effect: franquia que já enfrenta incertezas após os acontecimentos envolvendo a BioWare.

Dragon Age: outra propriedade importante do antigo estúdio canadense.

Titanfall: série desenvolvida pela Respawn Entertainment.

Battlefield: uma das principais franquias de tiro da publicadora.

É importante destacar que não existe confirmação de que essas franquias serão vendidas. A possibilidade aparece como uma preocupação levantada por fontes ouvidas pelo Vertical Slice, e não como uma decisão anunciada pela Electronic Arts.

A reportagem também aponta que alguns funcionários consideram possível uma divisão da companhia em empresas menores, caso a administração decida negociar diferentes propriedades e operações.

Aquisição bilionária aumenta as incertezas sobre o futuro da EA

A mudança de controle da Electronic Arts também aparece como um fator importante nesse cenário. Em uma negociação avaliada em aproximadamente US$ 55 bilhões, a companhia foi adquirida por um consórcio de investidores liderado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, com participação de Silver Lake e Affinity Partners.

Segundo os relatos reunidos pela reportagem, a operação deixou a empresa com uma dívida estimada em US$ 20 bilhões, aumentando a pressão por redução de custos e resultados financeiros.

Esse cenário ajuda a explicar por que funcionários estão preocupados com decisões futuras da administração. A possibilidade de vender franquias ou estúdios seria uma maneira de reorganizar os negócios, embora não exista confirmação de que esse caminho será adotado.

O que esperar dos próximos anos?

A Electronic Arts ainda possui algumas das propriedades mais conhecidas da indústria, incluindo Battlefield, The Sims, EA Sports FC, Madden NFL e Apex Legends. Entretanto, a concentração de investimentos em franquias esportivas e grandes produções pode reduzir o espaço para projetos menores e experiências originais.

Os depoimentos também levantam dúvidas sobre a capacidade dos estúdios restantes de manter o ritmo de desenvolvimento depois das demissões. Com menos profissionais, projetos em andamento podem enfrentar dificuldades de organização, enquanto os funcionários precisam lidar com responsabilidades adicionais.

Conclusão

Os relatos publicados pelo Vertical Slice mostram um cenário preocupante dentro da Electronic Arts, especialmente pela combinação de demissões, insegurança profissional e mudanças na estratégia de desenvolvimento. A possibilidade de venda de franquias como Mass Effect, Dragon Age, Titanfall e Battlefield merece atenção, mas ainda permanece no campo das especulações.

Para os jogadores, a principal preocupação é o impacto dessas decisões no futuro de algumas das séries mais importantes da empresa. A EA continua tendo propriedades extremamente valiosas, mas a maneira como seus novos controladores administrarão esses estúdios e franquias poderá determinar o rumo da publicadora nos próximos anos.

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Postado por Sebastian Castellanos
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