SOULSGAMER

#NOTíCIAS

Ex-desenvolvedor de Metroid Prime explica por que as seções de moto de Metroid Prime 4 não funcionaram

Jack Mathews, ex-engenheiro técnico da trilogia original de Metroid Prime, criticou a inclusão de Sol Valley em Metroid Prime 4. Para ele, a área desértica com a motocicleta Vi-O-La desviou recursos do desenvolvimento das partes tradicionais da franquia e criou riscos desnecessários para a produção do jogo.

Por Sebastian Castellanos | 30 out de 2026 às 11:37 | ⏱️ 7 min de leitura

As seções de exploração com a motocicleta Vi-O-La em Metroid Prime 4: Beyond voltaram a ser assunto após comentários de Jack Mathews, engenheiro técnico responsável por trabalhos na trilogia original da franquia. Em entrevista ao canal Kiwi Talks, o desenvolvedor explicou por que considera Sol Valley, a extensa região desértica do jogo, uma decisão problemática de design e produção.

Mathews argumenta que a área exigiu a criação de sistemas que não faziam parte da estrutura tradicional da série. Na avaliação dele, o esforço necessário para desenvolver essa experiência poderia ter sido direcionado ao aprimoramento das áreas de exploração, dos quebra-cabeças e das masmorras, elementos que historicamente definem Metroid Prime.

A crítica chama atenção porque vem de alguém que conhece diretamente a estrutura técnica dos jogos anteriores e o processo de desenvolvimento da franquia.

Sol Valley é comparada ao oceano de The Wind Waker

Durante a entrevista, Mathews utilizou uma comparação interessante para explicar sua insatisfação: chamou Sol Valley de uma espécie de oceano de The Legend of Zelda: The Wind Waker.

A referência diz respeito à grande área aberta que conecta diferentes regiões do jogo da Nintendo. Assim como o oceano de Wind Waker, Sol Valley funciona como um espaço de ligação entre diferentes localidades, mas exige sistemas próprios para tornar a travessia interessante.

O problema, segundo o desenvolvedor, é que esse tipo de experiência nunca havia sido desenvolvido anteriormente dentro da estrutura tradicional de Metroid. Isso significa que a equipe precisaria construir praticamente tudo do zero, desde as mecânicas de movimentação até os elementos responsáveis por tornar a exploração divertida.

Mathews considera que esse investimento acabou dividindo os recursos da produção sem trazer benefícios proporcionais para a experiência principal.

O desenvolvimento das áreas tradicionais seria menos arriscado

Outro ponto levantado pelo engenheiro envolve o planejamento de produção. Segundo ele, a Retro Studios já possuía experiência suficiente para estimar o tempo necessário para desenvolver ambientes semelhantes aos encontrados nos jogos anteriores.

Regiões como Fury Green, Volt Forge e Ice Belt seguem uma estrutura mais próxima daquilo que a equipe já conhecia. Por isso, seria possível aproveitar ferramentas, conhecimentos técnicos e processos de criação utilizados anteriormente.

Sol Valley apresentava uma dificuldade diferente. Não bastava criar um cenário amplo e permitir que Samus atravessasse o deserto. Era necessário desenvolver um conjunto de mecânicas que justificasse a existência daquela região e mantivesse o jogador interessado durante os deslocamentos.

Na entrevista, Mathews questionou justamente como seria possível prever quanto tempo levaria para construir esse sistema, encontrar uma mecânica divertida e determinar se a experiência realmente funcionaria.

Essa incerteza poderia comprometer o cronograma e obrigar os desenvolvedores a dedicar mais tempo do que o inicialmente planejado a uma parte específica do jogo.

A mudança de desenvolvedora também entra na discussão

A história de desenvolvimento de Metroid Prime 4 ajuda a entender o contexto das declarações. O projeto passou por um reinício em 2019, quando a Nintendo anunciou que a produção seria transferida para a Retro Studios, após o trabalho inicial realizado pela Bandai Namco.

A Retro Studios é responsável pela trilogia original e, portanto, possui uma relação histórica com a identidade da franquia.

Mathews acredita que, ao assumir o projeto, a equipe deveria ter priorizado uma experiência mais próxima daquilo que já sabia construir e que funcionava nos jogos anteriores.

Ele também levantou a possibilidade de que a Retro tenha precisado trabalhar com elementos que já estavam encaminhados antes da transferência do desenvolvimento.

Entretanto, é importante destacar que suas declarações representam uma avaliação pessoal sobre as decisões de produção. Elas não comprovam que a Nintendo tenha obrigado a equipe a manter Sol Valley ou que a região tenha sido a responsável pelo reinício do projeto.

A motocicleta Vi-O-La divide espaço com a exploração tradicional

A Vi-O-La foi apresentada como uma das principais novidades de Metroid Prime 4: Beyond. O veículo permite atravessar o Vale do Sol, conectar diferentes regiões e executar ações específicas durante a movimentação.

A Nintendo também apresentou recursos como aceleração, derrapagens, ataques contra inimigos e destruição de objetos encontrados pelo caminho.

Apesar dessas possibilidades, a crítica de Mathews aponta para uma questão importante: uma mecânica pode funcionar individualmente, mas não necessariamente combinar com a identidade geral de um jogo.

A série Metroid Prime tradicionalmente concentra sua experiência na exploração em primeira pessoa, na descoberta de ambientes interconectados, na resolução de quebra-cabeças e no desbloqueio gradual de habilidades.

Quando uma região extensa passa a exigir uma dinâmica diferente, existe o risco de interromper esse ritmo. É justamente essa desconexão que Mathews identifica em Sol Valley.

O que isso significa para o futuro de Metroid?

As declarações de Jack Mathews reacendem uma discussão relevante sobre as decisões criativas envolvendo franquias consagradas: até que ponto vale a pena introduzir novidades que alteram significativamente a estrutura de uma série?

Metroid Prime 4: Beyond apresenta elementos tradicionais da franquia ao mesmo tempo que experimenta com uma área aberta e um veículo próprio. A proposta demonstra uma tentativa de ampliar as possibilidades de exploração, mas também evidencia as dificuldades de integrar mecânicas diferentes em uma experiência coesa.

A crítica do ex-desenvolvedor não significa que todas as novidades do jogo sejam equivocadas. Sua principal preocupação está na distribuição de recursos e no custo de desenvolver uma experiência que, na opinião dele, não contribui suficientemente para o núcleo da franquia.

Conclusão

A avaliação de Jack Mathews oferece uma perspectiva interessante sobre os desafios enfrentados durante o desenvolvimento de Metroid Prime 4: Beyond. Para o engenheiro, Sol Valley exigiu um investimento elevado em uma mecânica que se distancia daquilo que tornou a série conhecida.

A discussão também mostra que adicionar novidades não é necessariamente sinônimo de melhorar uma experiência. Em uma franquia com identidade tão estabelecida quanto Metroid, encontrar equilíbrio entre inovação e tradição pode ser tão importante quanto desenvolver novas tecnologias.

Fontes

O que achou da notícia?

0 reações
Autor
Postado por Sebastian Castellanos
Atrás de notícias, para deixar todos informados! Sobre mim

💬 Fórum da Comunidade 0

Já tenho conta

Criar nova conta (Rápido)

Ninguém comentou ainda.