Cosplayer de Umamusume: Pretty Derby relata prisão violenta por agentes do ICE nos Estados Unidos
A cosplayer Clara Tan relatou ter sido detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após retornar à cidade de Rochester, em Nova York. Segundo seu relato, publicado nas redes sociais, ela foi derrubada durante a abordagem, sofreu uma possível fratura no pé esquerdo e enfrentou dificuldades para obter atendimento médico e acesso a um advogado durante a detenção.

A cosplayer Clara Tan, conhecida por interpretar Super Creek, personagem de Umamusume: Pretty Derby, relatou uma experiência traumática após desembarcar nos Estados Unidos em 26 de outubro de 2026. De acordo com seu depoimento, quatro agentes do ICE a abordaram durante a madrugada, do lado de fora do aeroporto, e informaram que havia um mandado de prisão contra ela.
O caso acontece após o cancelamento de um evento de Umamusume: Pretty Derby na Califórnia, que deveria receber integrantes japoneses do elenco e da equipe. Segundo as informações divulgadas, os profissionais não conseguiram obter vistos de entrada nos Estados Unidos.
Mesmo com o cancelamento, Tan permaneceu na região com amigos e participou de outras atividades, usando uma fantasia de Super Creek. Ao retornar para Rochester, ela afirma ter sido surpreendida pela abordagem dos agentes.
Abordagem no aeroporto terminou com queda e lesão
Segundo o relato de Tan, publicado no Facebook, a abordagem aconteceu depois que ela deixou o terminal e recolheu suas bagagens. Os quatro agentes teriam chamado seu nome e informado que possuíam um mandado de prisão.
A cosplayer afirma que pediu para ver o documento e solicitou que os homens apresentassem suas identificações. Um deles teria respondido que mostraria os documentos dentro do veículo e pedido que ela os acompanhasse pacificamente.
Tan conta que tentou usar o celular para pedir ajuda, mas os agentes avançaram contra ela. Durante a ação, seu telefone teria sido arremessado para longe, enquanto ela era derrubada no chão e algemada com as mãos para trás.
Em seu depoimento, a cosplayer descreveu ter ouvido um estalo forte no momento em que atingiu o pavimento. Ela associou o barulho a uma possível fratura no pé esquerdo e afirmou que sentiu dores intensas.
Ainda segundo Tan, os agentes a levaram até um SUV sem identificação ostensiva e a colocaram na parte traseira do veículo. Ela também relatou ter ouvido um dos homens dizer que a situação poderia ter sido evitada caso ela tivesse obedecido sem questionar.
O relato descreve uma abordagem que, na versão apresentada pela cosplayer, deixou de ser uma simples detenção e se transformou em um episódio de violência física. As circunstâncias da ação e a versão dos agentes não estão estabelecidas no material de referência.
Detenção e dificuldades para receber atendimento médico
Tan afirma que foi levada ao Centro de Detenção de Batavia, em Nova York. Segundo ela, foi colocada em uma sala pequena, com paredes metálicas e cobertores ásperos, e não conseguiu descansar por causa das dores no pé e no tornozelo.
A cosplayer também relata que teve dificuldades para conseguir uma ligação telefônica e acesso a seu advogado. Quando pediu ajuda médica para tratar a lesão, afirma ter recebido respostas negativas dos funcionários.
A situação se tornou ainda mais delicada quando outros detentos chegaram à unidade. Por ser uma mulher trans, Tan perguntou se existia uma alternativa de alojamento que levasse em consideração sua identidade de gênero. Segundo seu relato, o pedido foi inicialmente ignorado.
Após aproximadamente 14 horas sob custódia, ela finalmente teve acesso ao mandado de prisão. Tan afirma que o documento não tinha assinatura de um juiz e apresentava informações incompletas sobre sua entrada nos Estados Unidos.
Mandado de prisão teria informações incorretas
De acordo com a publicação, o documento reconhecia que Tan é cidadã de Singapura e não possui nacionalidade norte-americana, mas indicava que a data e o ponto de entrada no país eram desconhecidos.
A cosplayer afirma que estudou na American Musical and Dramatic Academy entre junho de 2019 e outubro de 2020. Ela também diz possuir documentos oficiais, incluindo o passaporte, que comprovariam sua entrada legal no país e as datas correspondentes.
Essas alegações são importantes para compreender a contestação apresentada por Tan, mas não permitem concluir, por si só, que o mandado era inválido ou que houve uma violação específica da legislação. Isso dependeria da análise dos documentos e das circunstâncias jurídicas do caso.



O relato também não apresenta uma resposta oficial do ICE sobre as acusações feitas pela cosplayer.
Identidade de gênero e condições de alojamento
Outro ponto central do depoimento envolve o local onde Tan foi mantida. Segundo ela, ao questionar novamente os funcionários sobre a possibilidade de ser transferida para outra unidade, ouviu que o centro não alojava mulheres.
A cosplayer explicou que é uma mulher trans. Ela afirma que um funcionário questionou sua anatomia e que, depois da conversa, duas profissionais da área médica foram chamadas para avaliar a situação.
Tan relata que a confirmação de suas características físicas provocou uma reação entre os funcionários. Em seguida, em vez de permanecer detida até a data de sua audiência judicial, ela foi liberada com um dispositivo eletrônico de monitoramento no tornozelo.
Segundo a publicação, ela recebeu a informação de que a unidade aceitava mulheres trans que ainda não haviam realizado determinadas cirurgias, mas não aquelas que já tinham passado por procedimentos específicos.
Tan relaciona diretamente sua decisão de realizar uma cirurgia de afirmação de gênero às condições de sua detenção. Após ser liberada, ela afirmou estar no pronto-socorro do Strong Memorial Hospital, acreditando que o pé esquerdo poderia estar fraturado.
A extensão da lesão, assim como os detalhes médicos e jurídicos do episódio, não foi confirmada de maneira independente no material consultado.
Caso amplia debate sobre imigração e direitos LGBTQIA+
O depoimento também aborda as consequências de políticas migratórias mais rígidas para pessoas que não possuem cidadania norte-americana. Tan argumenta que essas medidas podem afetar não apenas artistas estrangeiros impedidos de entrar no país, mas também integrantes de comunidades locais que participam de eventos culturais.
A relação com Umamusume: Pretty Derby dá ao caso uma dimensão particular para a comunidade gamer. O jogo, desenvolvido pela Cygames, conquistou um público internacional com sua combinação de personagens inspiradas em cavalos de corrida reais, treinamento esportivo e competições.
O cancelamento do evento na Califórnia já havia causado frustração entre os fãs que planejavam acompanhar o elenco japonês. O relato de Tan acrescenta uma dimensão pessoal à discussão, embora não exista, nas informações disponíveis, evidência de que sua prisão tenha sido motivada por sua participação no evento ou por seu cosplay.
Em sua mensagem, ela também pede que pessoas com opiniões políticas diferentes considerem o impacto concreto dessas políticas sobre indivíduos com quem tiveram contato. A ideia central de seu depoimento é que questões migratórias podem deixar de parecer distantes quando afetam integrantes de uma comunidade próxima.
Conclusão
O caso de Clara Tan reúne alegações graves sobre uma abordagem policial, condições de detenção, atendimento médico e tratamento de uma mulher trans sob custódia federal. Até que existam esclarecimentos oficiais e documentação independente, é fundamental distinguir o relato pessoal da cosplayer dos fatos que ainda precisam ser confirmados.
Para a comunidade de Umamusume: Pretty Derby, a história também serve como lembrete de que eventos de videogames e cultura pop podem ser afetados por decisões políticas e migratórias que vão muito além dos jogos.
A prioridade agora é esclarecer as circunstâncias da prisão, verificar as condições descritas durante a detenção e determinar a extensão da lesão relatada por Tan.
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