Xbox volta a colocar consoles no centro da estratégia; Asha Sharma fala em fortalecer Series X|S, Helix e Game Pass
A CEO do Xbox, Asha Sharma, afirmou em uma reunião interna que a Microsoft precisa voltar a fortalecer sua base de jogadores nos consoles antes de tentar crescer ainda mais em outras áreas. A executiva também confirmou que o Project Helix será uma “família de dispositivos”, com um console tradicional como peça principal, além de indicar mudanças para tornar o Game Pass mais flexível.

Uma nova reunião interna da divisão Xbox revelou detalhes importantes sobre a estratégia que a Microsoft pretende seguir nos próximos anos.
Segundo uma transcrição obtida e verificada pelo Windows Central, Asha Sharma conversou com funcionários da divisão em um town hall realizado nesta segunda-feira, 6 de outubro. Durante a apresentação, a atual CEO reconheceu que o Xbox começou o ano em uma situação difícil, com quedas em jogadores, horas jogadas e receita, e afirmou que a reestruturação realizada ao longo de 2026 começou a produzir sinais de recuperação.
Mais importante para quem acompanha a estratégia da marca, Sharma deixou claro que os Xbox Series X|S voltaram a ser tratados como parte central do negócio.
Isso representa uma mudança perceptível em relação aos últimos anos, quando a mensagem da Microsoft esteve muito mais concentrada em “jogar Xbox em qualquer lugar”, incluindo PC, nuvem, televisões e dispositivos portáteis.

“Não temos o direito de crescer além dos consoles” sem cuidar primeiro dos jogadores atuais
Sharma apresentou quatro pilares para a nova fase do Xbox: Core, Content, Creation e Connection — algo como núcleo, conteúdo, criação e conexão.
Dentro desse primeiro pilar, o console voltou a ocupar uma posição de destaque.
Segundo a executiva, apesar de o mercado de consoles como um todo não estar crescendo significativamente, o Xbox ainda possui espaço para avançar. Sharma teria afirmado internamente que a empresa não tem o “direito” de tentar crescer além dos consoles enquanto não atender corretamente seus jogadores mais valiosos.
A mensagem é especialmente significativa porque ocorre depois de um período em que muitos usuários tradicionais do Xbox reclamaram que a Microsoft parecia priorizar PC, cloud gaming e lançamentos multiplataforma enquanto deixava os próprios consoles em segundo plano.
O Windows Central afirma que a companhia voltou a investir em recursos e marketing para Xbox Series X|S após anos de menor atenção à plataforma.
Xbox Series X|S precisa ficar mais forte antes da próxima geração
Para Sharma, fortalecer a atual geração é uma etapa essencial antes da chegada do novo Xbox.
Entre os recursos citados pela CEO estão Xbox Cloud Gaming, Xbox Play Anywhere e o recente sistema Disc-to-Digital, que permite transformar determinados jogos físicos elegíveis em licenças digitais utilizáveis dentro do ecossistema Xbox.
A ideia parece ser fazer com que o Series X|S tenha mais valor dentro do ecossistema, mesmo com a próxima geração já no horizonte.
O Series X continua sendo vendido pela Microsoft em diferentes configurações, incluindo modelos com e sem leitor de discos, e a empresa também prepara uma edição comemorativa pelos 25 anos do Xbox.
Project Helix não será apenas um console
Talvez a declaração mais interessante da reunião envolva o Project Helix, codinome da próxima geração do Xbox.
Sharma descreveu o Helix explicitamente como uma “família de dispositivos”.
Segundo a CEO, a Microsoft não acredita que um único aparelho consiga atender todos os tipos de jogadores. Haverá um console principal, mas a companhia também pretende explorar dispositivos voltados para quem joga fora de casa.
Ela explicou ainda que alguns produtos poderão ser fabricados diretamente pela Microsoft, enquanto outros poderão surgir através de parceiros.
A mensagem indica que a estratégia iniciada com dispositivos como o Xbox Ally poderá ganhar importância ainda maior na próxima geração.
Ao mesmo tempo, Sharma fez questão de reforçar um detalhe importante: haverá “um ótimo console primeiro”.
Isso afasta, pelo menos por enquanto, a ideia de que Helix seria somente uma plataforma de software ou que a Microsoft abandonaria um aparelho tradicional conectado à televisão.
Sistema operacional do Helix “está começando a ficar muito bom”
A executiva também falou brevemente sobre o software da próxima geração.
Segundo Sharma, o sistema operacional usado pelo novo ecossistema está começando a apresentar resultados bastante promissores e a equipe está “muito animada” com sua evolução.
Ela não apresentou detalhes técnicos adicionais.
Portanto, ainda não existe confirmação nessa reunião sobre interface final, suporte a Steam, Epic Games Store ou nível de abertura do sistema.
Relatórios anteriores indicaram que Helix busca aproximar conceitos de console e PC, mas alguns desses planos podem ter mudado durante a grande reestruturação do Xbox em 2026.
O que agora está mais claro é que a Microsoft pretende usar uma base comum para diferentes tipos de aparelhos.
Game Pass deverá ficar mais flexível
O Xbox Game Pass também apareceu na apresentação.
Sharma indicou que o serviço deverá ficar “mais flexível para mais jogadores”, reforçando declarações anteriores de que a Microsoft estuda oferecer maneiras mais personalizadas de assinar o serviço.
A ideia seria permitir que diferentes usuários escolham melhor quais tipos de conteúdo desejam acessar, em vez de depender exclusivamente de pacotes grandes e rígidos.
Ainda não foram apresentados novos planos, preços ou datas.
Portanto, não há confirmação de que o Xbox introduzirá imediatamente assinaturas totalmente personalizáveis.
O que existe é uma direção estratégica: o Game Pass deverá ser reorganizado para atender perfis diferentes de jogador.
Estratégia anterior do Game Pass teria provocado forte queda
A parte mais dura da apresentação foi justamente a avaliação de Sharma sobre o início de 2026.
Segundo a reportagem, a CEO afirmou que o Xbox estava enfrentando quedas em horas jogadas, quantidade de jogadores e receita. Ela também voltou a descrever os resultados anteriores ligados ao Game Pass como uma situação de “freefall”, ou queda livre.
O Windows Central interpreta essa fala como uma referência aos problemas provocados pela estratégia anterior envolvendo Call of Duty e Game Pass.
Vale fazer uma distinção importante: essa interpretação pertence ao veículo. A fala reproduzida não detalha publicamente todas as causas financeiras da queda.
Sharma afirma agora que os negócios first-party do Xbox voltaram a crescer depois de atingirem uma baixa histórica.
O Windows Central chegou a atualizar sua matéria justamente para esclarecer que o crescimento citado pela executiva se referia especificamente aos jogos que a própria Microsoft possui e publica, e não necessariamente a toda a divisão Xbox.
Crescimento seria duas ou três vezes maior do que antes
Segundo Sharma, as recentes decisões de reinvestimento já começaram a gerar uma recuperação.
Ela afirmou que o crescimento first-party voltou e está ocorrendo em um ritmo duas a três vezes maior do que anteriormente, com expectativa de continuidade.
A executiva também citou Gears of War: E-Day, Minecraft Dungeons 2 e World of Warcraft Forever como lançamentos que tiveram começos fortes.
Outro dado apresentado internamente foi um aumento de 30% no sentimento positivo em relação à marca Xbox durante o último ano.
Como esses números vêm de uma reunião interna e não de um relatório financeiro detalhado, é importante tratá-los como métricas apresentadas pela própria direção do Xbox.
Xbox quer facilitar desenvolvimento entre console e PC
Outro ponto que pode ter impacto direto na quantidade de jogos disponíveis no Xbox envolve as ferramentas para desenvolvedores.
Sharma afirmou que a Microsoft está simplificando APIs e os alvos de publicação para facilitar o lançamento de um mesmo jogo em:
Xbox Series X|S, Project Helix e Xbox PC.
Essa é uma questão importante porque desenvolvedores já reclamaram no passado sobre diferenças técnicas, certificações e trabalho adicional necessário para publicar no ecossistema Xbox.
Se a Microsoft conseguir aproximar os ambientes de desenvolvimento entre console e PC, isso poderá facilitar ports e reduzir trabalho extra.
Mas os detalhes técnicos dessa nova estrutura ainda não foram divulgados.

Battle.net também terá papel maior
A reunião também mostrou que a Microsoft não pretende concentrar sua estratégia de PC em apenas uma loja.
Sharma afirmou que a companhia quer continuar expandindo o Battle.net, plataforma herdada da aquisição da Activision Blizzard.
Segundo a executiva, o Battle.net teria retenção de usuários próxima à do Steam.
Ela também mencionou como exemplo a chegada de jogos da CD Projekt RED, como The Witcher 3, e indicou que novas parcerias deverão aparecer.
Ao mesmo tempo, a plataforma aparentemente continuará mais curada e fechada do que Steam ou Xbox PC.
Microsoft Store teria posição muito forte na China
Outro comentário curioso envolve o mercado chinês.
Inicialmente, a reportagem afirmou que Sharma havia chamado a loja Xbox de PC de número um na China. Depois, o Windows Central atualizou o texto esclarecendo que a executiva estava aparentemente falando da Microsoft Store no Windows, e não especificamente do aplicativo Xbox.
Essa diferença é importante.
A Microsoft Store vem instalada por padrão no Windows 10 e Windows 11 e oferece jogos que não necessariamente fazem parte da Xbox Store tradicional.
O próprio jornalista Jez Corden também destacou que ainda existem dúvidas sobre como usuários chineses que acessam Steam através de VPN entram nessa comparação.
Portanto, esse dado merece cautela.
Mudanças chegam depois de um ano turbulento
A nova estratégia ocorre após uma grande reorganização da divisão.
Durante 2026, Microsoft promoveu demissões, fechou operações, vendeu ou separou alguns estúdios e reorganizou equipes sob empresas como Activision e Bethesda.
Sharma assumiu justamente com a missão de estabilizar essa estrutura.
Nos últimos meses, ela também declarou publicamente que “Xbox não está à venda”, respondendo às especulações de que Microsoft poderia eventualmente separar ou negociar toda a divisão.
A nova reunião interna reforça essa mensagem.
Em vez de preparar uma saída do mercado de consoles, a administração atual diz que pretende investir novamente nele.
O novo Xbox parece menos “abandone o console” e mais “expanda a partir dele”
A diferença de discurso é talvez a maior notícia dessa reunião.
Durante alguns anos, a mensagem do Xbox foi praticamente: qualquer tela pode ser um Xbox.
Asha Sharma não está abandonando essa ideia.
Cloud gaming, PC, portáteis, Play Anywhere e múltiplos dispositivos continuam fazendo parte da estratégia.
Mas a ordem parece ter mudado.
Primeiro, a Microsoft quer reconstruir a confiança e o valor da sua plataforma principal.
Depois, pretende expandir esse ecossistema.
O Project Helix continuará sendo uma família de aparelhos, o Game Pass deverá se tornar mais flexível e Xbox PC continuará recebendo investimentos.
Só que o console voltou a ocupar o centro dessa estrutura.
Para jogadores que passaram os últimos anos questionando se Microsoft ainda enxergava valor em vender hardware próprio, a declaração de Sharma é provavelmente uma das mais diretas até agora:
a próxima geração começará com um console tradicional — e o Xbox Series X|S ainda precisa ser fortalecido antes que ela chegue.
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