Versão pirata de Marvel Tōkon roda a 60 FPS enquanto jogadores relatam problemas graves na versão paga da Steam
Relatos indicam que uma versão modificada de Marvel Tōkon: Fighting Souls apresenta desempenho muito superior ao lançamento oficial para PC, colocando sistemas de proteção e processos em segundo plano sob suspeita — mas ainda não existe comprovação de que o DRM seja o único responsável.

A versão para PC de Marvel Tōkon: Fighting Souls ganhou uma nova polêmica poucos dias depois do lançamento. Enquanto compradores da Steam continuam relatando quedas de desempenho, microtravamentos e alto consumo de processador, usuários afirmam que uma versão não oficial do jogo, sem algumas das camadas presentes no lançamento comercial, consegue manter os 60 FPS com muito mais consistência.
O contraste chamou atenção porque Marvel Tōkon é um jogo de luta, gênero no qual uma taxa estável de quadros não representa apenas uma vantagem visual. Oscilações podem interferir diretamente na experiência, no ritmo das partidas e até no funcionamento adequado do multiplayer.
Segundo relatos reunidos pelo Wccftech, jogadores testando essa versão modificada afirmam conseguir executar o título a 60 FPS mesmo em computadores que apresentavam dificuldades consideráveis com a edição oficial.
A situação reacendeu uma discussão antiga no PC: até que ponto sistemas de DRM, anti-cheat e serviços executados simultaneamente podem prejudicar quem comprou legitimamente um jogo?
Antes de qualquer conclusão definitiva, porém, existe uma ressalva importante. Ainda não há um teste técnico independente demonstrando que uma única tecnologia específica seja responsável por toda a diferença de desempenho.
Marvel Tōkon foi lançado com problemas no PC
Marvel Tōkon: Fighting Souls chegou oficialmente em 6 de agosto de 2026 para PlayStation 5 e PC, sendo desenvolvido pela Arc System Works e publicado no computador pela PlayStation Publishing.
O lançamento rapidamente alcançou posições de destaque entre os mais vendidos da Steam, mas a recepção dos usuários começou a deteriorar devido aos problemas técnicos.
No momento consultado, apenas cerca de 46% das mais de 3.500 avaliações em inglês na Steam eram positivas, deixando a classificação geral na faixa de “Mistas”.
As reclamações não estão concentradas necessariamente na qualidade do sistema de combate.
Entre os problemas relatados estão quedas de FPS, microstuttering, travamentos, configurações gráficas problemáticas e oscilações de desempenho mesmo em computadores que ultrapassam os requisitos recomendados.
Para um jogo desenvolvido pela mesma companhia conhecida por títulos como Guilty Gear Strive e Dragon Ball FighterZ, a situação naturalmente provocou frustração.
Versão modificada estaria mantendo 60 FPS
A controvérsia aumentou depois que uma versão não oficial começou a circular aproximadamente 11 dias após o lançamento.
Jogadores que compararam as duas versões passaram a relatar uma diferença significativa.
Um usuário citado pelo Wccftech afirmou que havia enfrentado problemas graves de desempenho anteriormente, mas conseguiu executar a versão modificada com configurações gráficas elevadas mantendo praticamente 60 FPS constantes. Pequenos engasgos ainda teriam aparecido durante determinados golpes especiais e menus, mas o comportamento geral seria muito superior.
Outro relato compartilhado pela publicação descreve situação semelhante: o jogo modificado conseguiria permanecer em 60 FPS com aproximadamente 40% a 50% de utilização de CPU e GPU, enquanto a versão comercial ficaria próxima dos 45 FPS mesmo utilizando resolução extremamente reduzida.
As comparações são relatos individuais e não equivalem a um benchmark controlado, mas a diferença foi suficiente para provocar um debate considerável entre jogadores.
Uso de CPU também teria diminuído drasticamente
Outro teste divulgado chama atenção pelo consumo do processador.
Segundo um usuário utilizando um Intel Core i7-6700K, a versão modificada teria utilizado aproximadamente 34% da CPU, enquanto o lançamento comercial chegaria a cerca de 57% no mesmo computador.
Uma diferença dessa magnitude poderia explicar parte das quedas de desempenho encontradas em máquinas nas quais o processador se torna o principal gargalo.
É justamente aí que começaram as suspeitas envolvendo sistemas executados paralelamente ao jogo.
Marvel Tōkon utiliza componentes relacionados à infraestrutura da PlayStation no PC e também possui uma solução de anti-cheat. Segundo a investigação do Wccftech, jogadores apontam principalmente o Easy Anti-Cheat e processos vinculados ao SDK da PlayStation como possíveis responsáveis por parte da sobrecarga.
Até agora, entretanto, não existe confirmação oficial dizendo que qualquer um desses componentes seja individualmente o culpado.
Não é correto dizer simplesmente que “Denuvo destruiu o desempenho”
Esse detalhe merece atenção porque manchetes sobre o assunto podem facilmente criar uma conclusão maior do que as evidências permitem.
Os relatos indicam que remover determinadas proteções e serviços da versão comercial coincide com uma melhora considerável no desempenho.
Isso não demonstra, porém, que um único DRM específico seja responsável por todas as quedas de FPS.
O próprio Wccftech observa que a versão oficial executa múltiplos processos relacionados à infraestrutura da PlayStation, além da solução anti-cheat, tornando difícil determinar exatamente qual componente está causando a maior sobrecarga.
Também existem diferenças entre uma versão modificada e a versão comercial que podem alterar outros aspectos da execução.
Portanto, a conclusão mais segura é que alguma combinação dos sistemas adicionais presentes na versão oficial parece estar associada aos problemas relatados, mas ainda são necessários testes técnicos mais controlados para identificar a causa precisa.
Arc System Works já começou a corrigir o uso excessivo de CPU
Há um elemento particularmente importante que reforça que problemas reais de processamento existem.
A própria Arc System Works lançou uma atualização em 10 de agosto destinada especificamente a melhorar o desempenho da versão para PC.
Nas notas oficiais, o estúdio confirmou que implementou diferentes correções para reduzir o uso geral de CPU.
Uma delas corrigia uma situação em que o processador apresentava utilização elevada durante o processo de inicialização do jogo.
Outra estava relacionada a processamento periódico de áudio durante as partidas, que adicionava carga desnecessária ao sistema.
A desenvolvedora também identificou verificações recorrentes por dispositivos de entrada de áudio que poderiam provocar quedas repentinas de desempenho. Esse comportamento também foi corrigido.
Ou seja, nem todos os problemas técnicos podem necessariamente ser atribuídos ao DRM ou ao anti-cheat.
Parte deles estava simplesmente relacionada à própria implementação do jogo.
Desenvolvedora admite que os problemas continuam sendo investigados
A Arc System Works já reconheceu publicamente que jogadores de PC estão enfrentando dificuldades.
Segundo a companhia, a equipe continua investigando relatos de problemas de desempenho.
A atualização inicial melhorou alguns pontos, mas as avaliações recentes da Steam mostram que muitos usuários ainda consideram a experiência insatisfatória.
Isso cria uma situação especialmente delicada para um jogo de luta competitivo.
Em vários gêneros, uma queda ocasional de alguns quadros pode passar despercebida. Em jogos de luta, porém, normalmente existe uma relação direta entre os frames e a lógica dos movimentos.
Marvel Tōkon foi projetado para operar a 60 FPS durante os combates, característica inclusive promovida oficialmente na página do jogo na Steam.
Portanto, ficar constantemente abaixo desse objetivo representa um problema muito mais sério.
Steam Deck e Linux também enfrentam limitações
Os efeitos do sistema de proteção não parecem atingir apenas computadores Windows.
De acordo com a reportagem, usuários de Steam Deck e Linux encontraram dificuldades para iniciar o título devido à implementação do anti-cheat.
Isso aumenta ainda mais a frustração em torno da versão para computador.
O Steam Deck utiliza SteamOS baseado em Linux e, embora muitos sistemas anti-cheat atualmente ofereçam algum nível de compatibilidade, a implementação precisa ser habilitada corretamente pelos desenvolvedores.
Quando isso não acontece, jogos que teoricamente teriam hardware suficiente para funcionar podem simplesmente deixar de iniciar.
Conta PlayStation também é obrigatória para o online
Marvel Tōkon traz ainda outro requisito que gerou críticas.
Na versão de PC, uma conta PlayStation é necessária para utilizar os recursos online. A informação consta oficialmente na página do jogo na Steam.
Os modos offline continuam disponíveis, incluindo Episode Mode, versus local, treinamento e outros conteúdos.
Entretanto, o requisito para partidas online cria restrições em mercados nos quais a infraestrutura da PlayStation não possui suporte oficial.
É uma discussão semelhante àquela que já ocorreu anteriormente com outros lançamentos da Sony no PC.
Versão do PS5 não enfrenta a mesma repercussão
Curiosamente, a edição de PlayStation 5 não vem sendo alvo do mesmo volume de reclamações relacionadas ao desempenho.
Isso fortaleceu entre jogadores a teoria de que o problema esteja especificamente na implementação para computadores e nos componentes adicionais utilizados nessa plataforma.
Ainda assim, é importante lembrar que PC é um ambiente muito mais complexo.
Existem milhares de combinações possíveis de processadores, placas de vídeo, drivers, sistemas operacionais, dispositivos de áudio e programas executados simultaneamente.
Por isso, descobrir um gargalo pode exigir muito mais investigação do que em um hardware fechado como o PS5.
Pirataria também mostra a fragilidade das proteções
Existe ainda uma ironia difícil de ignorar.
Sistemas DRM e anti-pirataria existem justamente para dificultar a distribuição não autorizada de software.
Porém, segundo as informações divulgadas, as proteções de Marvel Tōkon teriam sido contornadas apenas 11 dias depois do lançamento.
Se os relatos de desempenho forem confirmados por testes independentes, cria-se o pior cenário possível para uma proteção desse tipo: ela não consegue impedir por muito tempo a pirataria e, ao mesmo tempo, a versão comprada pelos jogadores apresenta desempenho inferior.
Esse tipo de situação já alimentou discussões semelhantes em inúmeros lançamentos para computador.
Evidentemente, isso não transforma a distribuição ilegal do jogo em algo legítimo. A discussão relevante aqui é técnica: o consumidor que comprou o produto não deveria receber uma experiência pior por causa das ferramentas criadas para protegê-lo contra cópias não autorizadas.
Caso pode pressionar Sony e Arc System Works por novas correções
A boa notícia é que a desenvolvedora já está trabalhando no problema.
A Arc System Works lançou uma primeira rodada de otimizações poucos dias após a estreia, mostrando que está acompanhando os relatos da comunidade.
Agora, as comparações entre diferentes versões provavelmente aumentarão a pressão para investigar elementos como anti-cheat, integração com serviços da PlayStation e processos executados paralelamente.
Se esses componentes realmente estiverem provocando parte significativa da perda de desempenho, novas atualizações poderão reduzir essa sobrecarga sem comprometer os recursos online.
Por enquanto, ainda não é possível afirmar que simplesmente remover o DRM resolveria todos os problemas de Marvel Tōkon.
Mas os relatos deixam uma questão bastante desconfortável para Sony e Arc System Works: por que alguns jogadores estão conseguindo resultados tão melhores justamente em uma versão que não contém todos os sistemas presentes no produto vendido oficialmente?
Com Marvel Tōkon dependendo de 60 FPS estáveis para oferecer sua melhor experiência competitiva, encontrar essa resposta rapidamente pode ser fundamental para recuperar a confiança dos jogadores de PC.
Fonte: Wccftech
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