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Meta acredita que 22,5 GW de novos data centers de IA entrarão em operação apesar de resistência política nos EUA

A Meta acredita que a expansão da infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos continuará avançando, mesmo com a resistência de políticos eleitos nas eleições de 2026. Segundo uma análise publicada pela Wccftech, aproximadamente 22,5 GW de capacidade de data centers já estão em estágio avançado de construção, enquanto uma governadora recém-eleita demonstrou interesse em negociar diretamente com a empresa.

Por Sebastian Castellanos | 05 nov de 2026 às 23:50 | ⏱️ 8 min de leitura

A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial enfrenta um novo obstáculo nos Estados Unidos. Após as eleições de novembro de 2026, candidatos contrários à construção indiscriminada dessas instalações conquistaram posições importantes no cenário político, aumentando a preocupação das grandes empresas de tecnologia.

Apesar desse cenário, a Meta acredita que boa parte dos investimentos continuará avançando. Dina Powell McCormick, presidente da companhia, revelou ao Wall Street Journal que uma governadora recém-eleita, que havia criticado publicamente a expansão dos data centers durante sua campanha, procurou a empresa para organizar uma reunião após assumir o cargo.

O comentário indica que, apesar das divergências políticas, existe interesse em preservar os investimentos e os empregos associados aos projetos de infraestrutura de inteligência artificial.

Governadora eleita quer impor novas condições aos data centers

Uma das principais figuras desse cenário é Gina Hinojosa, eleita governadora do Texas pelo Partido Democrata após derrotar o republicano Greg Abbott.

Durante sua campanha, Hinojosa defendeu medidas mais rigorosas para controlar a expansão dos centros de processamento de dados. Entre suas propostas estão a suspensão de novas aprovações até que sejam estabelecidas proteções legais, a retirada de incentivos fiscais e a exigência de mão de obra sindicalizada.

Outro ponto importante envolve os custos de infraestrutura. A governadora eleita quer garantias de que os investimentos em data centers não resultarão em aumentos nas contas de energia e água dos moradores.

Hinojosa também defende maior transparência por parte das empresas, incluindo o fim de acordos de confidencialidade que impeçam a população de acompanhar os impactos dos projetos.

A situação, entretanto, não significa necessariamente o abandono dos investimentos. A própria Meta reconhece que existe espaço para negociações com as autoridades locais.

Segundo Dina Powell McCormick, a governadora demonstrou preocupação em evitar que os empregos e investimentos associados aos data centers sejam transferidos para outras regiões.

22,5 GW de capacidade já estão próximos da conclusão

Um dos dados mais importantes apresentados pela reportagem envolve o estágio atual das construções nos Estados Unidos.

De acordo com uma análise da Aterio, publicada com referência aos números de 5 de novembro de 2026, aproximadamente 86,7 GW de capacidade de data centers permanecem em construção no país.

Desse total, cerca de 50 GW já alcançaram a etapa de construção vertical ou estão em fases posteriores. Isso significa que boa parte dos edifícios já possui sua estrutura física estabelecida.

O número mais relevante, entretanto, é o dos 22,5 GW que já atingiram pelo menos 75% de conclusão.

Essas instalações estão relativamente próximas de entrar em operação, dependendo principalmente da instalação dos equipamentos necessários e da disponibilização de energia elétrica.

Essa situação é importante porque uma eventual suspensão de novas autorizações não necessariamente interromperia os projetos que já estão em estágio avançado.

Além disso, algumas empresas estão considerando alternativas para reduzir a dependência imediata da rede elétrica convencional, incluindo turbinas a gás e células de combustível.

Essas soluções podem permitir que determinadas instalações obtenham energia diretamente de estruturas próprias, embora continuem dependendo de autorizações, equipamentos e condições técnicas adequadas.

Meta também pode enfrentar maior fiscalização

Apesar do otimismo em relação aos projetos existentes, a Meta reconhece que construir novos data centers deverá se tornar mais complicado.

A empresa possui investimentos importantes em diferentes regiões dos Estados Unidos, incluindo os projetos Hyperion, na Louisiana, e Prometheus, em Ohio, além de instalações planejadas no Texas.

A expansão dessas estruturas está diretamente relacionada à necessidade de processamento para modelos avançados de inteligência artificial.

A reportagem também menciona que os investimentos de capital da Meta poderiam alcançar aproximadamente US$ 145 bilhões em 2027, embora esse número deva ser entendido como uma projeção apresentada no contexto da notícia, e não como um resultado financeiro já realizado.

A companhia considera que ampliar instalações existentes poderá ser mais simples do que iniciar novos empreendimentos.

Isso acontece porque comunidades próximas a data centers já estabelecidos podem ter acesso a benefícios econômicos, como empregos, investimentos locais e movimentação de fornecedores.

Por outro lado, novos projetos precisam conquistar a confiança das comunidades e demonstrar que não provocarão impactos desproporcionais sobre os recursos públicos.

O que acontece com os investimentos em inteligência artificial?

O cenário também envolve outras gigantes da tecnologia.

A OpenAI estaria reavaliando o ritmo de expansão de sua capacidade computacional diante das dificuldades regulatórias e políticas em diferentes estados americanos.

A Microsoft, por sua vez, aumentou o nível de fiscalização sobre parceiros de infraestrutura, incluindo empresas especializadas em oferecer capacidade computacional para inteligência artificial.

Esses acontecimentos mostram que o crescimento da IA depende de muito mais do que a disponibilidade de processadores e aceleradores gráficos.

Energia elétrica, refrigeração, abastecimento de água, terrenos e aprovações governamentais estão se tornando fatores decisivos para a expansão do setor.

No caso do Texas, a dimensão do problema é especialmente relevante. O estado representa uma parcela significativa da capacidade de data centers planejada para os Estados Unidos até 2030.

Uma mudança nas regras locais pode afetar diretamente o planejamento das grandes empresas, principalmente aquelas que dependem de instalações com consumo energético extremamente elevado.

Conclusão

A resistência política à construção de data centers representa um novo desafio para empresas como Meta, Microsoft e OpenAI. Entretanto, os números apresentados pela Aterio indicam que uma parcela considerável da infraestrutura americana já está em estágio avançado de construção.

Os 22,5 GW de capacidade com pelo menos 75% de conclusão ajudam a explicar por que uma eventual suspensão de novos projetos não significaria necessariamente uma interrupção imediata da expansão da inteligência artificial.

A aproximação entre a Meta e autoridades recém-eleitas também demonstra que o futuro desses investimentos poderá depender cada vez mais de negociações sobre empregos, energia, água e benefícios para as comunidades.

O principal desafio das empresas será encontrar um equilíbrio entre a necessidade de ampliar o poder computacional e as exigências das populações que convivem com essas instalações. A expansão da inteligência artificial deve continuar, mas conseguir autorização para construir novas estruturas poderá ser tão importante quanto conseguir os equipamentos necessários para operá-las.

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Postado por Sebastian Castellanos
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