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Dragon Age: Origins completa 17 anos e continua sendo um dos RPGs mais marcantes da BioWare

Lançado em 3 de novembro de 2009, Dragon Age: Origins completa 17 anos como um dos RPGs mais importantes da história da BioWare. Com seis origens diferentes, combates estratégicos, personagens memoráveis e decisões difíceis, o jogo construiu uma identidade própria que continua sendo lembrada pelos fãs, especialmente em um momento marcado pelo encerramento do estúdio responsável por sua criação.

Por Sebastian Castellanos | 03 nov de 2026 às 11:05 | ⏱️ 8 min de leitura

Lançado originalmente para PC, Xbox 360 e PlayStation 3, Dragon Age: Origins completa 17 anos nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026. Desenvolvido pela BioWare, o RPG apresentou aos jogadores o universo de Thedas, um cenário de fantasia sombria marcado por conflitos políticos, criaturas monstruosas, disputas religiosas e personagens cujas histórias poderiam mudar dependendo das escolhas realizadas durante a aventura.

O aniversário também acontece em um momento particularmente importante para a franquia. Em 21 de outubro de 2026, a BioWare anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades, colocando fim a uma trajetória de mais de três décadas e interrompendo os trabalhos iniciais do próximo Mass Effect.

A notícia torna a celebração de Dragon Age: Origins ainda mais significativa, especialmente para quem acompanhou a época em que a desenvolvedora era considerada uma das principais referências em RPGs narrativos.

Um RPG que não precisava competir com The Elder Scrolls

Na época de seu lançamento, Dragon Age: Origins chegou em um mercado no qual The Elder Scrolls já havia estabelecido uma referência bastante popular para jogos de fantasia. Títulos como Morrowind e Oblivion ofereciam enormes ambientes exploráveis, liberdade para desenvolver personagens e inúmeras possibilidades de abandonar a história principal para explorar o mundo.

Origins seguiu uma direção diferente. Em vez de apostar em um gigantesco mundo aberto, a BioWare desenvolveu uma aventura mais estruturada, concentrada na narrativa, no gerenciamento de um grupo de personagens e nas consequências das decisões tomadas pelo jogador.

Essa abordagem permitiu que o estúdio trabalhasse com histórias mais direcionadas, diálogos extensos e relacionamentos que evoluíam conforme o comportamento do protagonista.

A proposta também representou uma espécie de retorno às raízes da desenvolvedora, conhecida anteriormente por jogos como Baldur's Gate, Jade Empire e Star Wars: Knights of the Old Republic.

O resultado foi um RPG que não precisava oferecer a mesma liberdade de exploração dos concorrentes para construir uma experiência envolvente.

Seis origens diferentes para começar a aventura

Uma das características mais interessantes de Dragon Age: Origins está na criação do personagem. Diferentemente de muitos RPGs que apresentam uma introdução praticamente idêntica independentemente das escolhas iniciais, o jogo oferece seis histórias de origem.

O jogador pode começar como:

Nobre humano.

Mago.

Elfo dalish.

Elfo urbano.

Anão nobre.

Anão plebeu.

Cada origem apresenta personagens, acontecimentos e conflitos próprios, permitindo conhecer diferentes aspectos da sociedade de Thedas antes mesmo de a história principal começar.

Posteriormente, os caminhos convergem quando o protagonista se torna um Guardião Cinzento, integrante de uma antiga ordem responsável por enfrentar os Flagelos e combater os monstruosos darkspawn.

Entretanto, a origem escolhida não serve apenas como uma introdução diferente. Ela também influencia determinados diálogos, relacionamentos e acontecimentos durante a campanha.

Combate estratégico e personagens que fazem a diferença

Outro elemento responsável pela identidade do RPG é seu sistema de combate. Em vez de depender exclusivamente de reflexos e ataques rápidos, Dragon Age: Origins utiliza confrontos em tempo real com possibilidade de pausar a ação para organizar comandos.

O jogador precisa considerar as habilidades de cada integrante do grupo, posicionamento, resistência dos inimigos e utilização adequada de magias e habilidades especiais.

O sistema de táticas também permite configurar comportamentos automáticos para os companheiros. Dessa maneira, é possível estabelecer condições para que determinados personagens utilizem habilidades de cura, protejam aliados ou concentrem seus ataques em ameaças específicas.

Essa mecânica reduz a necessidade de controlar manualmente cada integrante durante todos os confrontos, sem eliminar a possibilidade de assumir o comando quando a situação exige maior planejamento.

Mas o combate não é o único destaque.

Personagens como Alistair, Morrigan, Leliana, Sten e Wynne ajudam a construir uma aventura na qual os companheiros possuem personalidades, motivações e opiniões próprias.

Eles podem discordar das decisões do protagonista, desenvolver relacionamentos e reagir de maneiras diferentes aos acontecimentos.

As escolhas também apresentam consequências que nem sempre são simples. Muitas situações envolvem disputas políticas, conflitos entre povos e decisões nas quais ajudar determinado grupo pode prejudicar outro.

Essa ausência de respostas obviamente corretas é uma das características que ajudaram o jogo a conquistar sua reputação.

Thedas: um universo que continuou crescendo

Dragon Age: Origins também merece reconhecimento pela construção de seu universo.

A história dos Guardiões Cinzentos, a influência da Chantria, o Círculo dos Magos, o Véu e as relações entre humanos, elfos e anões ajudam a estabelecer um cenário com conflitos anteriores à chegada do protagonista.

O jogador encontra informações sobre guerras antigas, tradições, crenças e acontecimentos históricos que dão profundidade à narrativa.

Esse trabalho de construção de mundo também permitiu que a franquia continuasse explorando personagens e acontecimentos apresentados no primeiro jogo.

Dragon Age: Awakening, Dragon Age II, Dragon Age: Inquisition e Dragon Age: The Veilguard seguiram caminhos diferentes, mas compartilham elementos narrativos e históricos estabelecidos originalmente em Origins.

O encerramento da BioWare torna o aniversário ainda mais simbólico

Embora Dragon Age tenha continuado recebendo novos capítulos, a franquia passou por mudanças significativas ao longo dos anos.

Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, adotou um sistema de combate mais voltado para a ação, afastando-se de algumas características tradicionais de Origins. A mudança dividiu opiniões entre jogadores que preferiam a abordagem mais estratégica dos primeiros títulos.

Em janeiro de 2025, a Electronic Arts informou que The Veilguard havia alcançado aproximadamente 1,5 milhão de jogadores durante seu trimestre de lançamento, quase 50% abaixo das expectativas da empresa. É importante destacar que o número divulgado representa jogadores engajados, não necessariamente unidades vendidas.

O desempenho comercial foi um dos episódios negativos da trajetória recente da desenvolvedora, mas não explica sozinho as dificuldades enfrentadas pelo estúdio.

Em 21 de outubro de 2026, a própria BioWare confirmou o encerramento de suas atividades. O comunicado também informou que os trabalhos iniciais do próximo Mass Effect seriam interrompidos.

A decisão encerra uma trajetória de mais de 30 anos, durante a qual a desenvolvedora participou da criação de algumas das franquias mais importantes dos RPGs.

Por que Dragon Age: Origins continua sendo lembrado?

Dezessete anos depois, Dragon Age: Origins continua representando uma abordagem de RPG que conquistou muitos jogadores justamente por não tentar reproduzir o modelo de outros jogos.

Sua narrativa estruturada, as seis origens, os companheiros com personalidades próprias e o sistema de combate estratégico formam uma experiência que valoriza tanto a construção do personagem quanto as consequências de suas decisões.

Também é interessante observar como o jogo demonstra que um universo de fantasia não precisa necessariamente de um mundo aberto gigantesco para transmitir sensação de profundidade.

A qualidade dos personagens, a construção histórica de Thedas e os conflitos apresentados durante a campanha fazem com que a aventura permaneça relevante mesmo depois de tantos anos.

Conclusão

Dragon Age: Origins completa 17 anos em um momento que representa o fim de uma importante etapa da história dos RPGs ocidentais.

O encerramento da BioWare torna ainda mais importante reconhecer o legado de seus trabalhos anteriores. Origins não foi apenas o início de uma franquia de fantasia, mas também um exemplo de como narrativa, personagens e decisões podem sustentar uma experiência memorável.

As mudanças que vieram posteriormente fazem parte da evolução natural da série, mas o primeiro jogo continua sendo uma referência para quem aprecia RPGs com histórias complexas, combates estratégicos e escolhas difíceis.

Para muitos jogadores, Dragon Age: Origins permanece como um dos melhores trabalhos já realizados pela BioWare. E, 17 anos depois, é fácil entender por quê.

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Postado por Sebastian Castellanos
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